Colangite Aguda: Reconheça a Tríade de Charcot

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2020

Enunciado

A colangite se caracteriza pela presença de pus ou mucopurulento misturado com bíle estagnada, apresenta-se muitas vezes com manifestação clínica a triada de Charcot, corretamente descrita abaixo na opção:

Alternativas

  1. A) Febre com calafrio, ictérica e confusão mental;
  2. B) Icterícia, dor abdominal e febre com calafrio;
  3. C) Icterícia, hipotensão e diarréia;
  4. D) Cianose, hipotensão e confusão mental.

Pérola Clínica

Tríade de Charcot para colangite = Icterícia + Dor abdominal em QSD + Febre com calafrios.

Resumo-Chave

A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, geralmente associada à obstrução. A sua apresentação clínica clássica é a Tríade de Charcot, que consiste em icterícia, dor abdominal no quadrante superior direito e febre com calafrios. É fundamental reconhecer esses sinais para um diagnóstico e tratamento precoces, evitando a progressão para quadros mais graves como a Pentade de Reynolds.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana grave do trato biliar, que ocorre tipicamente em associação com a obstrução do fluxo biliar. É uma condição potencialmente fatal que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A epidemiologia está frequentemente ligada à presença de coledocolitíase, mas outras causas de obstrução biliar, como estenoses ou tumores, também podem precipitar a doença. A importância clínica reside na sua rápida progressão para sepse e choque se não for tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve a estase biliar causada pela obstrução, que permite a proliferação bacteriana e a ascensão de bactérias do duodeno para os ductos biliares. A pressão intraductal elevada leva à translocação bacteriana para a corrente sanguínea, resultando em bacteremia e sepse. O diagnóstico clínico é classicamente baseado na Tríade de Charcot: febre com calafrios, icterícia e dor abdominal no quadrante superior direito. Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas (predominantemente direta) e enzimas colestáticas. Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM), são essenciais para identificar a causa e o nível da obstrução. O tratamento da colangite aguda é uma emergência médica e envolve três pilares: suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar. A descompressão biliar, geralmente realizada por CPRE, é crucial para aliviar a obstrução e permitir a drenagem da bile infectada. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção. Residentes devem estar aptos a identificar a Tríade de Charcot e iniciar o manejo adequado para prevenir a progressão para a Pentade de Reynolds e suas complicações fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de colangite aguda?

As causas mais comuns de colangite aguda são a obstrução do ducto biliar comum por cálculos (coledocolitíase), estenoses benignas ou malignas (como tumores pancreáticos ou colangiocarcinomas), e manipulações biliares prévias (ex: CPRE). A estase biliar e a infecção bacteriana subsequente são os principais fatores fisiopatológicos.

Qual a diferença entre a Tríade de Charcot e a Pentade de Reynolds?

A Tríade de Charcot é composta por febre com calafrios, icterícia e dor abdominal no quadrante superior direito, sendo os sinais clássicos da colangite aguda. A Pentade de Reynolds inclui esses três sintomas, adicionando hipotensão e alteração do estado mental, indicando uma colangite supurativa grave com choque séptico, uma emergência médica.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de colangite aguda?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro (com cobertura para Gram-negativos e anaeróbios), e avaliação para descompressão biliar urgente. A descompressão pode ser endoscópica (CPRE), percutânea (drenagem trans-hepática) ou cirúrgica, dependendo da causa e da condição do paciente.

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