FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Embora as diferenças entre as icterícias produzidas por cálculo ou tumor sejam praticamente nulas, um dos fatores abaixo é sabidamente mais frequente quando o fator causal é litiásico, assinale-o:
Icterícia obstrutiva litiásica → Maior incidência de colangite aguda.
A presença de cálculos biliares na via biliar (coledocolitíase) predispõe à estase biliar e infecção bacteriana ascendente, resultando em colangite aguda. Tumores, embora causem obstrução, geralmente provocam uma obstrução mais gradual e completa, com menor chance de infecção inicial.
A icterícia obstrutiva é uma condição clínica comum, que pode ser causada por diversas etiologias, sendo as mais frequentes a coledocolitíase (cálculos na via biliar) e as neoplasias (como tumores de cabeça de pâncreas ou colangiocarcinomas). Embora ambas as causas levem à obstrução do fluxo biliar e consequente icterícia, existem diferenças importantes em suas apresentações clínicas que auxiliam no diagnóstico diferencial. A fisiopatologia da icterícia litiásica envolve a migração de cálculos da vesícula biliar para o ducto colédoco, causando obstrução. Essa obstrução pode ser intermitente, permitindo a estase biliar e o refluxo de bactérias do duodeno para a via biliar, o que predispõe à colangite aguda. Já a icterícia tumoral geralmente resulta de uma obstrução progressiva e completa, que, embora cause icterícia intensa e prurido, tem uma menor incidência de colangite no início do quadro, a menos que haja manipulação ou necrose tumoral. O diagnóstico diferencial é crucial para a conduta terapêutica. A presença de febre e calafrios, indicativos de colangite, é um forte marcador de etiologia litiásica. O tratamento da icterícia litiásica com colangite aguda envolve antibioticoterapia e descompressão biliar urgente, geralmente por CPRE. Na icterícia tumoral, o manejo é mais complexo, envolvendo estadiamento, biópsia e, se possível, ressecção cirúrgica ou paliação.
A colangite aguda é caracterizada pela Tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) e, em casos graves, pela Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental).
A colangite é mais comum na icterícia por cálculo devido à obstrução intermitente e à presença do cálculo que serve como nicho para proliferação bacteriana, facilitando a infecção ascendente da via biliar.
A icterícia litiásica frequentemente cursa com dor biliar tipo cólica e colangite, enquanto a tumoral é geralmente progressiva, indolor e associada a perda de peso e sinal de Courvoisier-Terrier.
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