Colangite Aguda Pós-Colecistectomia: Diagnóstico e Manejo

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 45 anos, submetida à colecistectomia VLP há 8 meses, procura atendimento médico por dor abdominal em andar superior do abdome com início há 1 semana, náuseas e vômitos pós-prandiais, astenia e picos febris intermitentes presentes. Ao exame físico, prostrada, icterícia cutaneomucosa ++/++++, subfebril, levemente taquicárdica e taquipneica, com abdome plano, porém doloroso em HD e epigástrio. Em posse dessas informações clínicas, em qual alternativa podemos encontrar a melhor interpretação clínica e sequência para investigação diagnóstica?

Alternativas

  1. A) O quadro clínico citado condiciona o raciocínio para provável complicação pós-operatória tardia das vias biliares (Fístula bilio-pancreática), a coleta de exames laboratoriais como Hemograma, PCR, função renal e hepática deverá ser suficiente para elucidação diagnóstica definitiva.
  2. B) Provavelmente estamos diante de quadro agudo de obstrução das vias biliares com infecção em curso. Além da coleta laboratorial, será necessário realizar métodos de imagens para estudo diagnóstico e ou terapêutico, pois a desobstrução da via biliar é prioridade total.
  3. C) A possibilidade de neoplasia de via biliar principal, assim como compressão extrínseca dessa via, está completamente descartada.
  4. D) A principal hipótese a ser levantada é a pancreatite aguda em sua forma moderada e o tratamento deverá ser feito com suporte clínico e antibióticos de amplo espectro.

Pérola Clínica

Icterícia + febre + dor em HD pós-colecistectomia → Colangite aguda; desobstrução biliar urgente.

Resumo-Chave

O quadro clínico de icterícia, febre e dor em hipocôndrio direito (Tríade de Charcot) em paciente pós-colecistectomia sugere colangite aguda, uma infecção grave das vias biliares. A prioridade é a desobstrução da via biliar, geralmente por CPRE, para drenar a bile infectada e prevenir sepse.

Contexto Educacional

A colecistectomia videolaparoscópica (VLP) é um procedimento comum, mas como qualquer cirurgia, pode ter complicações, tanto precoces quanto tardias. A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária a uma obstrução. Em pacientes pós-colecistectomia, pode ser causada por cálculos residuais no colédoco (coledocolitíase), estenoses biliares (benignas ou malignas) ou fístulas biliares complicadas. O quadro clínico clássico é a Tríade de Charcot: dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia. Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que inclui hipotensão e alteração do estado mental, indicando colangite supurativa e choque séptico. A investigação diagnóstica inclui exames laboratoriais (hemograma, PCR, bilirrubinas, enzimas hepáticas) e de imagem. A ultrassonografia abdominal pode mostrar dilatação das vias biliares, mas a colangiorressonância (CPRM) ou a tomografia são mais detalhadas para identificar a causa da obstrução. O tratamento da colangite aguda é uma emergência médica. Consiste em suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, a desobstrução e drenagem da via biliar. A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é o método de escolha para a descompressão, permitindo a remoção de cálculos ou a colocação de stents. A falha na desobstrução ou a presença de sepse refratária pode exigir drenagem percutânea ou cirúrgica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia da drenagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da Tríade de Charcot e da Pêntade de Reynolds?

A Tríade de Charcot consiste em dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia. A Pêntade de Reynolds adiciona a esses sintomas hipotensão e alteração do estado mental, indicando colangite supurativa grave.

Por que a desobstrução da via biliar é uma prioridade total na colangite aguda?

A colangite é uma infecção que ocorre em um sistema biliar obstruído. A drenagem da bile infectada é crucial para controlar a sepse e prevenir danos hepáticos e sistêmicos. Antibióticos sozinhos não são suficientes sem a desobstrução.

Quais são os métodos para desobstrução da via biliar na colangite aguda?

Os métodos mais comuns são a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e colocação de stent ou a drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT). A cirurgia é reservada para casos de falha ou contraindicação aos métodos menos invasivos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo