Colangite Aguda: Diagnóstico, Sinais e Tratamento com CPRE

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 59 anos, multípara, IMC = 35kg/m², inicia quadro de dor em andar superior de abdômen, associado à febre de até 40ºC, calafrios e mudança da cor da urina. O exame físico mostra PA = 120/80mmHg, FC = 100bpm, FR = 20irpm, icterícia ++/4 e dor à palpação do hipocôndrio direito, sem visceromegalias. O exame laboratorial mostra hemoglobina = 12g/dL, leucócitos = 16.000/mm³, 10% de bastões, plaquetas = 300.000/mm³, creatinina = 0,9mg/dL, ureia = 35mg/dL, TGO = 65UI, TGP = 70UI, bilirrubina total = 8mg/dL, glicemia = 100mg/dL e bilirrubina direta = 6,5mg/dL. O diagnóstico mais provável e a melhor conduta terapêutica, além da antibioticoterapia, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) colecistite aguda / colangio pancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)
  2. B) colangite aguda / colangio pancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)
  3. C) colecistite aguda / colangiorressonância magnética
  4. D) colangite aguda / colangiorressonância magnética 

Pérola Clínica

Colangite aguda = Tríade de Charcot + leucocitose + BD elevada → CPRE para descompressão biliar e ATB.

Resumo-Chave

A paciente apresenta a tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia), leucocitose e hiperbilirrubinemia direta, que são achados clássicos de colangite aguda. A conduta terapêutica, além da antibioticoterapia, é a descompressão da via biliar, sendo a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) o método de escolha para isso.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana da árvore biliar, geralmente secundária à obstrução do ducto biliar comum, mais comumente por cálculos (coledocolitíase). É uma condição grave que pode rapidamente progredir para sepse e falência de múltiplos órgãos se não tratada prontamente. A epidemiologia está ligada a fatores de risco para colelitíase e coledocolitíase, como sexo feminino, idade avançada e obesidade. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. O diagnóstico é clínico, baseado na Tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) e achados laboratoriais (leucocitose, elevação de bilirrubinas, especialmente a direta, e enzimas hepáticas). Exames de imagem como ultrassonografia e colangiorressonância podem identificar a obstrução. O tratamento da colangite aguda é emergencial e consiste em antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão da via biliar. A CPRE é o método preferencial para a desobstrução, permitindo a remoção de cálculos ou colocação de drenos. O prognóstico depende da gravidade da apresentação e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da colangite aguda?

A colangite aguda é classicamente caracterizada pela Tríade de Charcot: dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental.

Qual o papel da CPRE no manejo da colangite aguda?

A CPRE é o procedimento de escolha para a descompressão da via biliar na colangite aguda. Ela permite a remoção de cálculos, dilatação de estenoses ou colocação de stents, aliviando a obstrução e permitindo a drenagem da bile infectada.

Como diferenciar colangite aguda de colecistite aguda?

A principal diferença é a presença de icterícia na colangite, que indica obstrução da via biliar principal. A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente sem icterícia significativa, e a dor pode ser mais localizada na vesícula.

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