Colangiocarcinoma Distal: Icterícia Indolor e Massa Abdominal

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Idoso de 72 anos, tabagista, procura o ambulatório de clínica médica, queixando-se de prurido e alteração da cor dos olhos e da pele. Ao exame físico, apresentava-se ictérico e hipocorado. À palpação de abdômen, evidenciou-se massa indolor de cerca de 5cm em região de hipocôndrio direito de consistência cística, e exames laboratoriais revelaram anemia, hiperbilirrubinemia e elevação de enzimas canaliculares. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) colangiocarcinoma distal
  2. B) câncer de vesícula
  3. C) tumor de Klatskin
  4. D) hepatocarcinoma

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva indolor + massa palpável em hipocôndrio direito (vesícula distendida) + anemia + tabagismo → suspeitar de neoplasia periampular/distal de via biliar.

Resumo-Chave

A icterícia obstrutiva indolor, associada à palpação de uma massa cística indolor em hipocôndrio direito (sinal de Courvoisier-Terrier, indicando vesícula biliar distendida), hiperbilirrubinemia direta e elevação de enzimas canaliculares, em um paciente idoso e tabagista, sugere fortemente uma neoplasia obstrutiva distal da via biliar ou da cabeça do pâncreas. O colangiocarcinoma distal se encaixa perfeitamente nesse quadro.

Contexto Educacional

O colangiocarcinoma distal é um tipo de câncer que se origina nos ductos biliares extra-hepáticos, próximo à ampola de Vater. É uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, o que dificulta o tratamento. A apresentação clínica clássica, como no caso descrito, é a icterícia obstrutiva indolor, que ocorre devido ao crescimento do tumor e à obstrução progressiva do fluxo biliar. A icterícia obstrutiva indolor, associada à palpação de uma massa cística indolor no hipocôndrio direito (que representa uma vesícula biliar distendida, conhecida como sinal de Courvoisier-Terrier), é altamente sugestiva de uma neoplasia periampular ou distal da via biliar, como o colangiocarcinoma distal ou câncer de cabeça de pâncreas. Os exames laboratoriais confirmam o padrão de icterícia obstrutiva com hiperbilirrubinemia direta e elevação de enzimas canaliculares (FA e GGT). A anemia pode ser um achado comum em neoplasias avançadas. O tabagismo é um fator de risco conhecido para diversas neoplasias, incluindo as do trato biliar. O diagnóstico diferencial inclui câncer de cabeça de pâncreas e ampuloma, que apresentam quadros clínicos semelhantes. O tumor de Klatskin é um colangiocarcinoma hilar (proximal), e o hepatocarcinoma geralmente não causa icterícia obstrutiva indolor com vesícula distendida, a menos que seja muito grande ou invada os ductos biliares de forma atípica. A compreensão desses sinais e sintomas é vital para o diagnóstico precoce e o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Courvoisier-Terrier e qual sua relevância?

É a presença de vesícula biliar palpável e indolor em um paciente com icterícia. Sugere obstrução distal da via biliar por uma neoplasia (câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal, ampuloma), pois a obstrução gradual permite a distensão da vesícula sem inflamação.

Quais exames laboratoriais são indicativos de icterícia obstrutiva?

A icterícia obstrutiva é caracterizada por hiperbilirrubinemia predominantemente direta (conjugada), elevação acentuada de fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT), e, por vezes, aumento discreto de transaminases.

Quais são os principais fatores de risco para colangiocarcinoma?

Fatores de risco incluem colangite esclerosante primária, doença de Caroli, cistos de colédoco, infecções parasitárias crônicas (Clonorchis sinensis), exposição a toxinas e, em menor grau, tabagismo e cirrose.

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