FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Com relação às neoplasias das vias biliares, assinale a alternativa correta:
Colite Ulcerativa + Colangite Esclerosante Primária = Forte associação com Colangiocarcinoma.
A inflamação crônica das vias biliares, frequentemente associada à Colangite Esclerosante Primária em pacientes com Colite Ulcerativa, é um dos principais fatores predisponentes para o desenvolvimento de colangiocarcinoma.
O colangiocarcinoma é uma neoplasia agressiva com incidência crescente. A fisiopatologia baseia-se na inflamação crônica do epitélio biliar. Além da CEP e parasitoses, outros fatores incluem cistos de colédoco, litíase intra-hepática e exposição a toxinas químicas. O diagnóstico costuma ser tardio devido à natureza silenciosa das lesões iniciais. Clinicamente, manifesta-se com icterícia obstrutiva progressiva, perda ponderal e dor abdominal. Laboratorialmente, observa-se padrão colestático (elevação de bilirrubina direta e fosfatase alcalina). O marcador tumoral CA 19-9 é frequentemente utilizado, embora possua limitações de especificidade, especialmente em quadros de colangite ativa.
A relação é indireta, mas robusta, ocorrendo principalmente através da Colangite Esclerosante Primária (CEP). Cerca de 70-80% dos pacientes com CEP possuem Doença Inflamatória Intestinal (DII), predominantemente Colite Ulcerativa. A inflamação crônica e a fibrose dos ductos biliares na CEP promovem um ambiente de displasia celular, aumentando drasticamente o risco de colangiocarcinoma ao longo da vida.
Os principais parasitas associados ao colangiocarcinoma, especialmente no Sudeste Asiático, são os trematódeos hepáticos Clonorchis sinensis e Opisthorchis viverrini. Eles habitam os ductos biliares, causando irritação mecânica e inflamação crônica, o que leva à hiperplasia ductal e eventual transformação maligna. O Aspergillus flavus, citado em alternativas incorretas, produz aflatoxina, relacionada ao carcinoma hepatocelular.
Eles são classificados em intra-hepáticos, perihilares (Tumores de Klatskin) e distais. Os perihilares são os mais comuns (cerca de 50-60%), localizando-se na junção dos ductos hepáticos direito e esquerdo. Os distais ocorrem entre o ducto cístico e a ampola de Vater. Essa distinção é crucial para o planejamento cirúrgico e prognóstico.
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