Neoplasias das Vias Biliares: Fatores de Risco e Associações

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Com relação às neoplasias das vias biliares, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A colite ulcerativa é uma doença comumente associada e, ocasionalmente, ocorrem casos de câncer de ducto biliar em pacientes com colite ulcerativa que evoluíram com colangite crônica durante muitos anos.
  2. B) Os tumores primários do ducto biliar são frequentes em pacientes com colelitíase, e os homens são afetados numa frequência 4 vezes maior que as mulheres.
  3. C) O padrão típico dos cânceres do ducto biliar distal é estenose do ducto biliar com invasão do ducto pancreático e veia cava.
  4. D) Cerca de 60% são tumores papilares volumosos que tendem a ser mais invasivos e com maior capacidade de metastizar.
  5. E) O colangiocarcinoma é mais prevalente no sudeste asiático, onde a infecção pelo parasita hepático Aspergillus Flavus causa inflamação biliar crônica.

Pérola Clínica

Colite Ulcerativa + Colangite Esclerosante Primária = Forte associação com Colangiocarcinoma.

Resumo-Chave

A inflamação crônica das vias biliares, frequentemente associada à Colangite Esclerosante Primária em pacientes com Colite Ulcerativa, é um dos principais fatores predisponentes para o desenvolvimento de colangiocarcinoma.

Contexto Educacional

O colangiocarcinoma é uma neoplasia agressiva com incidência crescente. A fisiopatologia baseia-se na inflamação crônica do epitélio biliar. Além da CEP e parasitoses, outros fatores incluem cistos de colédoco, litíase intra-hepática e exposição a toxinas químicas. O diagnóstico costuma ser tardio devido à natureza silenciosa das lesões iniciais. Clinicamente, manifesta-se com icterícia obstrutiva progressiva, perda ponderal e dor abdominal. Laboratorialmente, observa-se padrão colestático (elevação de bilirrubina direta e fosfatase alcalina). O marcador tumoral CA 19-9 é frequentemente utilizado, embora possua limitações de especificidade, especialmente em quadros de colangite ativa.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre Colite Ulcerativa e Colangiocarcinoma?

A relação é indireta, mas robusta, ocorrendo principalmente através da Colangite Esclerosante Primária (CEP). Cerca de 70-80% dos pacientes com CEP possuem Doença Inflamatória Intestinal (DII), predominantemente Colite Ulcerativa. A inflamação crônica e a fibrose dos ductos biliares na CEP promovem um ambiente de displasia celular, aumentando drasticamente o risco de colangiocarcinoma ao longo da vida.

Quais parasitas estão ligados ao câncer de via biliar?

Os principais parasitas associados ao colangiocarcinoma, especialmente no Sudeste Asiático, são os trematódeos hepáticos Clonorchis sinensis e Opisthorchis viverrini. Eles habitam os ductos biliares, causando irritação mecânica e inflamação crônica, o que leva à hiperplasia ductal e eventual transformação maligna. O Aspergillus flavus, citado em alternativas incorretas, produz aflatoxina, relacionada ao carcinoma hepatocelular.

Como se classificam anatomicamente os colangiocarcinomas?

Eles são classificados em intra-hepáticos, perihilares (Tumores de Klatskin) e distais. Os perihilares são os mais comuns (cerca de 50-60%), localizando-se na junção dos ductos hepáticos direito e esquerdo. Os distais ocorrem entre o ducto cístico e a ampola de Vater. Essa distinção é crucial para o planejamento cirúrgico e prognóstico.

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