INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher de 29 anos iniciou tratamento para tuberculose pulmonar cavitária há duas semanas, com o esquema Rifampicina + Hidrazida + Pirazinamida + Etambutol. Durante a consulta para avaliação dos exames solicitados, o médico observa que o teste confirmatório para detecção do HIV é positivo. Nesse contexto, além do aconselhamento da paciente e testagem de parceiros, a conduta mais adequada para a paciente é:
TB + HIV → Manter RIPE; Iniciar TARV após 2-8 semanas (prioridade é tratar a TB).
O tratamento da tuberculose deve ser mantido integralmente; o diagnóstico de HIV exige planejamento para início da TARV, sem interromper o esquema RIPE.
A coinfecção TB-HIV é uma das principais causas de morte em pessoas vivendo com HIV/AIDS. O tratamento da tuberculose é a prioridade inicial devido à alta carga bacilar e risco de transmissão. O esquema básico (RIPE) é eficaz, mas exige vigilância para interações medicamentosas e toxicidade hepática. O encaminhamento para serviço de referência é necessário para o manejo especializado da TARV, mas o tratamento da TB deve continuar sem interrupções para garantir a cura e prevenir resistência.
A recomendação geral é iniciar o tratamento da tuberculose primeiro e introduzir a TARV entre a 2ª e a 8ª semana após o início do esquema RIPE. Em pacientes com imunossupressão grave (CD4 < 50 células/mm³), a TARV deve ser iniciada precocemente, idealmente nas primeiras 2 semanas, exceto em casos de tuberculose do sistema nervoso central, onde o início é postergado para evitar edema cerebral por IRIS.
Sim, mas há interações medicamentosas importantes. A rifampicina é um potente indutor enzimático do citocromo P450, o que reduz os níveis de muitos antirretrovirais. O esquema preferencial atual no Brasil utiliza o Dolutegravir, que deve ter sua dose ajustada para 50mg de 12/12h quando associado à rifampicina para compensar essa indução.
A IRIS ocorre quando o sistema imunológico começa a se recuperar após o início da TARV e monta uma resposta inflamatória exacerbada contra antígenos de patógenos presentes (como o M. tuberculosis). Isso pode causar piora clínica paradoxal dos sintomas da tuberculose, mesmo com o tratamento correto. O manejo geralmente envolve anti-inflamatórios e, em casos graves, corticoides, sem suspender a TARV ou o RIPE.
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