HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Homem de 32 anos de idade foi internado em enfermaria de clínica médica para investigação de síndrome consumptiva. Foi feito diagnóstico de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), concomitantemente a tuberculose pulmonar. Sem outras queixas ou antecedentes prévios. Ao exame físico, apresenta sinais vitais sem alterações e está emagrecido. No exame da cabeça, apresenta candidíase oral e queilite angular. A ausculta pulmonar detectou estertores grossos em ápice à direita.Os exames complementares evidenciaram: Hb 11,4g/dL (VR: 13 - 18g/dL); leucócitos 5.600/mm³ (VR: 4000 - 11000/mm3 ), com diferencial que detectou 85% de segmentados, 1% de eosinófilos, 0% de basófilos, 10% de linfócitos e 4% de monócitos; sem outras alterações. Contagem de linfócitos T CD4+, carga viral e genotipagem em andamento. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Coinfecção HIV/TB: iniciar TARV precocemente (2-8 semanas após TB), especialmente com imunossupressão grave.
Em pacientes com coinfecção HIV e tuberculose, a TARV deve ser iniciada precocemente, idealmente entre 2 e 8 semanas após o início do tratamento da TB. Para pacientes com imunossupressão grave (CD4 < 50), o início em 2 semanas é preferível para reduzir mortalidade e progressão da doença.
A coinfecção por HIV e tuberculose (TB) representa um desafio significativo de saúde pública global, sendo a TB a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV. O manejo desses pacientes requer uma abordagem cuidadosa, especialmente em relação ao momento de iniciar a terapia antirretroviral (TARV) em relação ao tratamento da TB. A fisiopatologia da coinfecção é complexa. O HIV compromete a imunidade celular, aumentando o risco de TB ativa, reativação e formas disseminadas. A TB, por sua vez, pode acelerar a progressão da doença pelo HIV. O diagnóstico precoce de ambas as condições é fundamental. O paciente do caso apresenta TB pulmonar ativa e sinais de imunossupressão pelo HIV, como candidíase oral. As diretrizes atuais enfatizam o início precoce da TARV em pacientes com coinfecção HIV/TB. Para a maioria dos pacientes, a TARV deve ser iniciada entre 2 e 8 semanas após o início do tratamento da TB. No entanto, para pacientes com imunossupressão grave (contagem de linfócitos T CD4+ < 50 células/mm³), o início da TARV é recomendado o mais cedo possível, idealmente dentro de 2 semanas, pois isso demonstrou reduzir a mortalidade e a progressão da doença. Embora haja um risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI), os benefícios do início precoce da TARV geralmente superam esse risco, especialmente em pacientes com baixa contagem de CD4.
O timing é crucial para equilibrar os benefícios de suprimir o HIV e prevenir novas infecções oportunistas com o risco de desenvolver a Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI), que pode agravar a TB.
As diretrizes recomendam iniciar a TARV entre 2 e 8 semanas após o início do tratamento da TB. Para pacientes com CD4 < 50 células/mm³, o início precoce (2 semanas) é fortemente recomendado.
A SIRI é uma exacerbação paradoxal dos sintomas de uma infecção oportunista (como TB) após o início da TARV, devido à recuperação do sistema imune. Embora seja uma preocupação, os benefícios do início precoce da TARV geralmente superam o risco de SIRI.
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