FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024
Um recém-nascido a termo apresentou quadro de desconforto respiratório rapidamente progressivo nas primeiras 48 horas de vida, que culminou com ICC grave e choque. Realizado ecocardiograma, firmou-se o diagnóstico de coarctação crítica de aorta. Qual é a conduta inicial recomendada nessa situação?
Coarctação crítica de aorta em RN → Prostaglandina E1 para manter ducto arterioso patente e fluxo sistêmico.
A coarctação crítica da aorta é uma cardiopatia congênita dependente do ducto arterioso para manter o fluxo sanguíneo sistêmico adequado. A administração de Prostaglandina E1 é a conduta inicial essencial para manter a patência do ducto arterioso, estabilizando o recém-nascido e permitindo tempo para a avaliação e planejamento da correção cirúrgica.
A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por um estreitamento localizado da aorta, geralmente após a origem da artéria subclávia esquerda. Quando crítica, essa estenose é tão severa que o fluxo sanguíneo para a parte inferior do corpo depende da patência do ducto arterioso. Em recém-nascidos, o fechamento fisiológico do ducto arterioso nos primeiros dias de vida pode levar a um colapso circulatório agudo, com choque cardiogênico e insuficiência de múltiplos órgãos. A fisiopatologia envolve a obstrução grave do fluxo sanguíneo sistêmico. Enquanto o ducto arterioso está patente, o sangue oxigenado do ventrículo direito pode desviar para a aorta descendente, contornando a coarctação. Com o fechamento do ducto, a perfusão para a parte inferior do corpo é severamente comprometida, levando a hipoperfusão sistêmica, acidose metabólica e choque. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma, que visualiza o estreitamento e avalia o fluxo através do ducto. A conduta inicial e mais urgente é a administração intravenosa contínua de Prostaglandina E1. Este medicamento é um potente vasodilatador que mantém o ducto arterioso aberto, restaurando o fluxo sanguíneo sistêmico e estabilizando o paciente. Após a estabilização, a correção cirúrgica ou intervenção percutânea é planejada. O prognóstico é bom com diagnóstico e tratamento precoces, mas o atraso pode ser fatal.
A Prostaglandina E1 é essencial porque mantém o ducto arterioso patente, permitindo que o sangue flua do tronco pulmonar para a aorta distal à coarctação, garantindo assim a perfusão sistêmica e dos órgãos vitais até que a correção cirúrgica possa ser realizada.
Recém-nascidos com coarctação crítica podem apresentar desconforto respiratório, pulsos femorais diminuídos ou ausentes, diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores, palidez, letargia, má perfusão e sinais de choque cardiogênico.
Os efeitos adversos mais comuns incluem apneia, febre, rubor facial, hipotensão, bradicardia e convulsões. A monitorização cuidadosa é necessária, especialmente para a apneia, que pode exigir intubação e ventilação mecânica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo