UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mãe de RN de 3 dias de vida queixa que o bebê não está mamando direito. RN nasceu de parto vaginal espontâneo, 38 semanas e 6 dias, PN=3100g C=48 cm PC=33 cm, Apgar 9/10. Recebeu alta com 24 horas de vida. Não realizou pré-natal. Saiu da maternidade pesando 3050 g, mamando no seio materno livre demanda. Mãe relata que bebê tem ficado cada vez mais cansado para mamar, transpirando profusamente. Desde ontem tem interrompido as mamadas frequentemente por conta do cansaço. Ao exame físico está em REG, descorado +/4, afebril, hidratado limítrofe, alerta. Ausculta de sopro sistólico 2+/6 em REE. Pulsos diminuídos em MMII. Restante do exame físico sem alterações. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e conduta neste caso:
RN com dificuldade para mamar, sudorese, sopro e pulsos ↓ em MMII → Coarctação de Aorta, solicitar ecocardiograma.
A apresentação de um RN com 3 dias de vida, dificuldade para mamar, cansaço, sudorese profusa, sopro sistólico e, crucialmente, pulsos diminuídos em membros inferiores, é altamente sugestiva de Coarctação de Aorta. Esta condição causa obstrução ao fluxo sanguíneo para a parte inferior do corpo, levando a sinais de insuficiência cardíaca e diferença de pulsos/pressão entre membros superiores e inferiores. O ecocardiograma é o exame confirmatório.
A coarctação de aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por um estreitamento localizado da aorta, geralmente próximo à inserção do ducto arterioso. É uma causa importante de insuficiência cardíaca e choque cardiogênico em recém-nascidos, especialmente após o fechamento do ducto arterioso. O diagnóstico precoce é crucial, pois a condição pode ser fatal se não tratada. A fisiopatologia envolve a obstrução ao fluxo sanguíneo para a parte inferior do corpo, resultando em hipertensão nos membros superiores e hipotensão nos membros inferiores. No período neonatal, os sintomas podem surgir quando o ducto arterioso começa a se fechar, eliminando a via de fluxo colateral. Os sinais incluem dificuldade para mamar, sudorese, taquipneia, irritabilidade, sopro sistólico e, classicamente, pulsos femorais diminuídos ou ausentes. A ausência de pré-natal aumenta o risco de cardiopatias não diagnosticadas. A conduta inicial diante da suspeita de coarctação de aorta é a estabilização do paciente, que pode incluir a infusão de prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso patente e melhorar o fluxo sanguíneo sistêmico. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma, que permite visualizar o estreitamento e avaliar a função cardíaca. O tratamento definitivo é cirúrgico, com a ressecção da área coarctada e anastomose término-terminal, ou intervenção percutânea. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais e iniciar a conduta adequada para salvar a vida do RN.
Os sinais de alerta incluem dificuldade para mamar, cansaço durante as mamadas, sudorese profusa, irritabilidade, sopro cardíaco e, o mais importante, pulsos femorais diminuídos ou ausentes e/ou diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores.
O ecocardiograma é o exame confirmatório para coarctação de aorta. Ele permite visualizar diretamente a área de estreitamento na aorta, avaliar o gradiente de pressão e identificar outras anomalias cardíacas associadas.
A coarctação de aorta pode se manifestar tardiamente, geralmente após o 2º ou 3º dia de vida, porque o ducto arterioso, que estava patente no útero e nos primeiros dias, começa a se fechar. Com o fechamento do ducto, a obstrução ao fluxo sanguíneo se torna mais evidente, levando ao surgimento dos sintomas de insuficiência cardíaca e choque.
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