UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente masculino, de 18 anos, veio à consulta queixando-se de cefaleia eventual e fraqueza, com intolerância ao exercício físico. Apresentava quadro típico de claudicação intermitente de membros inferiores. Negou comorbidades prévias. Ao exame clínico, foram constatadas pressão arterial de 150/90 mmHg em ambos os membros superiores, com pulsos palpáveis e simétricos, e ausência de pulsos periféricos nos membros inferiores. Qual a suspeita diagnóstica mais provável?
Jovem com hipertensão MS, pulsos ↓/ausentes MI, claudicação → Coarctação de Aorta.
A coarctação de aorta é uma estenose congênita que causa hipertensão nos membros superiores e hipoperfusão nos membros inferiores, manifestando-se com claudicação intermitente e ausência ou diminuição de pulsos femorais. A diferença de pressão arterial entre os membros é um achado chave.
A coarctação de aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por um estreitamento localizado da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda, perto do ducto arterioso. É uma causa importante de hipertensão secundária em crianças e adultos jovens, sendo mais comum em homens. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir complicações a longo prazo, como insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e dissecção aórtica. A fisiopatologia envolve a obstrução do fluxo sanguíneo, que resulta em hipertensão proximal à coarctação (membros superiores) e hipoperfusão distal (membros inferiores). Clinicamente, isso se manifesta por cefaleia, epistaxe e sintomas de claudicação intermitente nos membros inferiores, além de fraqueza e intolerância ao exercício. Ao exame físico, a palpação de pulsos femorais diminuídos ou ausentes e a aferição de pressão arterial com diferença significativa entre os membros superiores e inferiores são achados patognomônicos. O ecocardiograma é o exame inicial para confirmar o diagnóstico, seguido por angiotomografia ou ressonância magnética para detalhamento anatômico. O tratamento da coarctação de aorta é predominantemente intervencionista, seja por cateterismo com angioplastia e stent, ou por cirurgia. A escolha depende da idade do paciente, da anatomia da coarctação e da presença de outras anomalias. É fundamental que residentes e estudantes de medicina estejam aptos a reconhecer essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a morbidade e mortalidade significativas. O acompanhamento a longo prazo é necessário devido ao risco de recoarctação e outras complicações cardiovasculares.
Os sinais clássicos incluem hipertensão nos membros superiores, pulsos femorais diminuídos ou ausentes, e uma diferença significativa de pressão arterial entre os membros superiores e inferiores. Claudicação intermitente e sopro sistólico na região interescapular também são comuns.
A estenose na aorta restringe o fluxo sanguíneo para os membros inferiores, resultando em isquemia muscular durante o exercício. Isso leva à dor e fraqueza, caracterizando a claudicação intermitente.
A coarctação de aorta é uma condição congênita com estenose localizada, enquanto a arterite de Takayasu é uma vasculite inflamatória que afeta grandes artérias, incluindo a aorta e seus ramos, podendo causar pulsos diminuídos em múltiplos locais, mas geralmente com um componente inflamatório sistêmico.
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