Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025
Dentre as cardiopatias listadas abaixo, assinale aquela com MAIOR probabilidade de evoluir com insuficiência cardíaca congestiva na primeira semana de vida:
Coarctação de Aorta crítica → ICC aguda na 1ª semana de vida com o fechamento fisiológico do canal arterial.
A Coarctação de Aorta (CoAo) crítica depende do canal arterial para manter a perfusão sistêmica. Seu fechamento fisiológico nos primeiros dias de vida causa uma obstrução súbita ao fluxo do ventrículo esquerdo, resultando em hipertensão nos membros superiores, hipoperfusão nos inferiores e uma sobrecarga pressórica aguda que leva à falência ventricular e ICC.
As cardiopatias congênitas podem se manifestar de diversas formas no período neonatal, sendo a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) uma das mais graves. A apresentação clínica depende da anatomia da lesão e das mudanças fisiológicas da circulação que ocorrem após o nascimento, principalmente o fechamento do canal arterial (CA) e a queda da resistência vascular pulmonar. As cardiopatias ducto-dependentes sistêmicas, como a coarctação de aorta (CoAo) crítica, a interrupção do arco aórtico e a síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, são as que mais classicamente evoluem com ICC e choque cardiogênico na primeira semana de vida. Nessas condições, o CA é essencial para fornecer fluxo sanguíneo para a aorta descendente e o resto do corpo. Quando o CA se fecha fisiologicamente, ocorre uma obstrução súbita ao fluxo, levando a uma pós-carga extrema para o ventrículo esquerdo, que rapidamente entra em falência. Outras cardiopatias, como o Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV) total, causam ICC por hiperfluxo pulmonar, mas essa manifestação costuma ser mais tardia, após algumas semanas, quando a resistência vascular pulmonar diminui. A Tetralogia de Fallot, por sua vez, é uma cardiopatia cianótica que tipicamente não cursa com ICC, mas sim com crises de hipoxemia. O reconhecimento rápido da CoAo crítica pela avaliação dos pulsos femorais é vital para iniciar a infusão de prostaglandina e salvar a vida do neonato.
Os sinais clássicos incluem pulsos femorais diminuídos ou ausentes em comparação com os pulsos braquiais, diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores, e rápida deterioração clínica com palidez, taquipneia, má perfusão e acidose metabólica após o fechamento do canal arterial.
A prioridade é manter a perviedade do canal arterial através da infusão contínua de Prostaglandina E1 (PGE1). Isso garante a perfusão sistêmica distal à coarctação, estabilizando o paciente para o tratamento cirúrgico definitivo.
Na Tetralogia de Fallot, a estenose na via de saída do ventrículo direito protege a circulação pulmonar do hiperfluxo. A principal manifestação são as crises de hipóxia (cianose), e não a insuficiência cardíaca congestiva, que é mais típica de lesões com hiperfluxo pulmonar ou obstrução sistêmica.
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