UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Menino, 5a, é trazido para consulta de puericultura sem queixas. Mãe refere bom desenvolvimento e nega doenças ou uso de medicamentos. Exame físico: bom estado geral; corado; IMC=percentil 30; FC=104bpm; FR=27irpm; PA membro superior direito=142x78mmHg; PA membro inferior direito=88x53mmHg; pulsos= radiais cheios e pediosos fracos; membros inferiores sem edema. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Criança com PA ↑ em MS e PA ↓ em MI + pulsos radiais cheios e pediosos fracos → Coarctação da Aorta.
A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por estreitamento da aorta, resultando em hipertensão nos membros superiores e hipotensão nos membros inferiores, com pulsos femorais diminuídos ou ausentes. A diferença de pressão arterial entre os membros superiores e inferiores é um sinal clínico crucial para o diagnóstico.
A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por um estreitamento localizado da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda. Embora muitas vezes assintomática na infância precoce, pode levar a hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca e outras complicações se não diagnosticada e tratada. A detecção precoce é vital para prevenir morbidade e mortalidade a longo prazo. O diagnóstico é frequentemente suspeitado durante a consulta de puericultura ou exame físico de rotina. A chave para o diagnóstico clínico é a avaliação cuidadosa da pressão arterial e dos pulsos. A presença de hipertensão nos membros superiores (PA 142x78mmHg para um menino de 5 anos é elevada) e hipotensão nos membros inferiores (PA 88x53mmHg) é um achado clássico. Além disso, a palpação de pulsos radiais cheios e pulsos pediosos fracos ou ausentes reforça fortemente a hipótese de coarctação da aorta, indicando uma obstrução ao fluxo sanguíneo para a parte inferior do corpo. Uma vez suspeitada, a coarctação da aorta requer confirmação por exames de imagem, como ecocardiograma, angiotomografia ou angiorressonância. O tratamento pode variar de intervenção percutânea (balonamento com ou sem stent) a correção cirúrgica, dependendo da idade do paciente, anatomia da coarctação e presença de outras anomalias cardíacas. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de recoarctação e hipertensão residual.
Os principais achados incluem hipertensão nos membros superiores, hipotensão nos membros inferiores, diferença significativa na pressão arterial entre braços e pernas (PA no braço > PA na perna), pulsos femorais diminuídos ou ausentes em comparação com os pulsos radiais, e, ocasionalmente, um sopro sistólico na região interescapular esquerda.
O estreitamento da aorta (coarctação) impede o fluxo sanguíneo adequado para a parte inferior do corpo. Isso resulta em aumento da pressão a montante da coarctação (membros superiores) e diminuição da pressão a jusante (membros inferiores), além de ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, contribuindo para a hipertensão.
A medição da pressão arterial nos quatro membros é crucial para o rastreamento e diagnóstico de condições como a coarctação da aorta, que podem não apresentar outros sintomas evidentes. Uma diferença significativa entre os membros superiores e inferiores é um sinal de alerta que exige investigação adicional.
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