UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Entre as alternativas abaixo, a que NÃO contempla uma opção cirúrgica descrita para o reparo da coarctação de aorta em crianças é:
Coarctação de aorta → Cirurgia via toracotomia lateral esquerda (Waldhausen ou terminoterminal).
O reparo cirúrgico da coarctação aórtica foca na remoção da área estenosada e reconstrução do arco, utilizando tecidos nativos (subclávia) ou próteses; retalhos musculares não são utilizados.
A coarctação da aorta é uma malformação congênita caracterizada pelo estreitamento da luz aórtica, geralmente na região do istmo, próximo à inserção do ducto arterioso. O tratamento cirúrgico é indicado quando há gradiente pressórico significativo ou evidência de repercussão hemodinâmica, como insuficiência cardíaca ou hipertensão arterial sistêmica grave. A escolha da técnica depende da anatomia do arco aórtico, da extensão da coarctação e da idade do paciente. Historicamente, a toracotomia lateral esquerda é a via de acesso preferencial. As técnicas evoluíram da simples aortoplastia para métodos que garantem a remoção total do tecido ductal, que é histologicamente diferente da parede aórtica normal e possui tendência à retração, o que poderia causar recidiva. O acompanhamento pós-operatório a longo prazo é essencial para monitorar a recoarctação, o desenvolvimento de aneurismas e a persistência de hipertensão arterial sistêmica, mesmo após o reparo anatômico bem-sucedido.
A operação de Waldhausen, também conhecida como aortoplastia com retalho de artéria subclávia, é uma técnica cirúrgica clássica utilizada principalmente em lactentes para o tratamento da coarctação da aorta. O procedimento envolve a ligadura distal e a secção da artéria subclávia esquerda, que é então aberta longitudinalmente e rebatida sobre a área da coarctação para servir como um retalho biológico que amplia o lúmen aórtico. Uma das principais vantagens dessa técnica é a utilização de tecido autólogo com potencial de crescimento, o que reduz o risco de recoarctação a longo prazo. No entanto, pode resultar em redução do pulso e do crescimento do membro superior esquerdo, embora a circulação colateral geralmente compense a perfusão distal.
A ressecção da área coarctada seguida de anastomose terminoterminal (end-to-end) é frequentemente considerada o padrão-ouro para coarctações localizadas e discretas. A técnica consiste na excisão completa do tecido ductal ectópico e da zona de estreitamento, seguida pela sutura direta das duas extremidades da aorta. Em casos onde há hipoplasia associada do arco aórtico transverso, utiliza-se a técnica de anastomose terminoterminal ampliada (ou com avanço do arco), onde a incisão é estendida para a face inferior do arco aórtico, permitindo uma reconstrução mais abrangente. Esta abordagem minimiza a necessidade de materiais protéticos e preserva a anatomia da artéria subclávia.
A aortoplastia com retalho de material sintético (como Dacron ou PTFE) ou pericárdio bovino foi amplamente utilizada no passado para ampliar a zona de coarctação sem a necessidade de ressecção circunferencial. Embora tecnicamente mais simples e rápida, essa abordagem caiu em desuso relativo devido à alta incidência de complicações tardias, especialmente a formação de aneurismas na parede aórtica oposta ao retalho sintético. A diferença de complacência entre o material protético e a parede aórtica nativa gera estresse hemodinâmico local, predispondo à degeneração aneurismática. Atualmente, priorizam-se técnicas que utilizam tecidos nativos ou a ressecção completa do segmento afetado.
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