IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Menino de 6 anos é levado a consulta de pediatria pela sua mãe devido a episódios de dor torácica. Ao exame físico, é auscultado sopro sistólico em foco aórtico, além de ser detectada elevação dos níveis tensionais. O médico opta pela aferição da pressão arterial nos 4 membros, sendo evidente a diferença pressórica entre os membros superiores e os inferiores. Com base no caso descrito, a hipótese diagnóstica mais provável é:
HAS em membros superiores + Pulsos femorais reduzidos/atrasados = Coarctação de Aorta.
A coarctação de aorta deve ser suspeitada em qualquer criança com hipertensão arterial, sendo o diagnóstico clínico sugerido pela diferença de pressão e pulsos entre membros superiores e inferiores.
A coarctação de aorta consiste em um estreitamento localizado da luz aórtica, geralmente próximo à inserção do ducto arterioso. É uma causa importante de hipertensão arterial secundária na infância. A fisiopatologia envolve o aumento da pós-carga do ventrículo esquerdo, levando à hipertrofia ventricular e, se não tratada, à insuficiência cardíaca. O diagnóstico precoce é fundamental, pois a hipertensão crônica pode causar danos vasculares irreversíveis e aumentar o risco de aneurismas cerebrais e endocardite. O ecocardiograma com Doppler é o exame inicial de escolha, permitindo visualizar o local da obstrução e estimar o gradiente de pressão, enquanto a angiotomografia ou angiorressonância são úteis para o planejamento cirúrgico em casos complexos.
Os achados cardinais são a hipertensão arterial em membros superiores associada a pulsos femorais débeis ou ausentes e pressão arterial reduzida em membros inferiores. Ao exame cardíaco, pode-se ouvir um sopro sistólico no foco aórtico ou na região interescapular esquerda, decorrente do fluxo turbulento na zona de estreitamento.
Em crianças maiores, pode-se observar o 'sinal do 3' na silhueta da aorta na radiografia de tórax e o 'sinal de Roesler' (corrosão das bordas inferiores das costelas), causado pela dilatação das artérias intercostais que servem como circulação colateral.
O tratamento pode ser cirúrgico (anastomose término-terminal, aortoplastia com retalho) ou por intervenção percutânea (angioplastia com balão ou implante de stent), dependendo da idade do paciente e da anatomia da lesão. Em neonatos com coarctação crítica, o uso de Prostaglandina E1 é essencial para manter o canal arterial patente até a cirurgia.
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