Coarctação da Aorta: Diagnóstico e Complicação Mais Comum

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menina de 4 anos é trazida para consulta em unidade básica de saúde. Pais percebem que criança respira rápido e forte durante as atividades físicas e para de brincar com pouco tempo de exercícios. Durante o exame físico observa-se: bom estado geral, corada, hidratada, acianótica (sat O₂ 96% em membro superior esquerdo). Aparelho respiratório: murmúrio vesicular audível difusamente, sem ruídos adventícios, sem esforço, FR: 20 irpm. Aparelho cardiovascular: ritmo regular com 2 bulhas normofonéticas, sem sopros audíveis, FC: 90 bpm; pulsos cheios em membros superiores e de difícil palpação em membros inferiores. Abdome flácido, indolor e sem massas palpáveis; extremidades sem edema, mãos aquecidas e pés frios.Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual seria a complicação mais frequente?

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial sistêmica.
  2. B) Enterocolite necrotizante.
  3. C) Crise asmática grave.
  4. D) Sindrome de Eisenmenger.

Pérola Clínica

Coarctação da aorta: pulsos femorais ↓, PA ↓ em MMII, mãos quentes/pés frios. Complicação + frequente = HAS.

Resumo-Chave

A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por estreitamento da aorta, classicamente manifestada por pulsos femorais diminuídos ou ausentes e diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores. A hipertensão arterial sistêmica é a complicação mais frequente e grave, podendo levar a hipertrofia ventricular esquerda e outras sequelas cardiovasculares se não tratada.

Contexto Educacional

A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por um estreitamento localizado da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda. É uma das causas mais comuns de hipertensão secundária em crianças e adultos jovens, e seu diagnóstico precoce é crucial para prevenir complicações graves. A epidemiologia mostra uma incidência significativa entre as cardiopatias congênitas. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pelo exame físico, que revela achados clássicos como pulsos femorais diminuídos ou ausentes em comparação com os pulsos braquiais, e uma diferença de pressão arterial entre os membros superiores (elevada) e inferiores (reduzida). Outros sinais incluem sopro sistólico e, em casos de apresentação tardia, sintomas de insuficiência cardíaca ou dispneia de esforço. A presença de mãos aquecidas e pés frios, como descrito na questão, é um forte indicativo de fluxo sanguíneo diferencial. A complicação mais frequente e clinicamente relevante da coarctação da aorta é a hipertensão arterial sistêmica, que pode levar à hipertrofia ventricular esquerda, insuficiência cardíaca, aneurismas cerebrais e dissecção aórtica. O tratamento geralmente envolve intervenção cirúrgica ou cateterismo para corrigir o estreitamento, com o objetivo de normalizar a pressão arterial e prevenir as complicações a longo prazo. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas o acompanhamento é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da coarctação da aorta em crianças?

Os sinais clássicos incluem pulsos femorais diminuídos ou ausentes em comparação com os pulsos braquiais, diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores (maior nos superiores), e, em casos mais graves, cianose diferencial ou dispneia de esforço.

Por que a hipertensão arterial sistêmica é a complicação mais frequente da coarctação da aorta?

A hipertensão ocorre devido à obstrução ao fluxo sanguíneo na aorta, que leva a um aumento da pós-carga do ventrículo esquerdo e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona. É uma complicação presente em quase todos os pacientes não tratados ou com correção tardia.

Como a coarctação da aorta é diagnosticada?

O diagnóstico é suspeitado pelo exame físico (diferença de pulsos e pressão arterial) e confirmado por ecocardiograma, que visualiza diretamente o estreitamento aórtico e avalia a função cardíaca. Em alguns casos, pode ser necessária angiotomografia ou ressonância magnética.

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