Coagulopatia no Trauma: Uso de Ácido Tranexâmico e TEG

SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente 34 anos, sexo masculino, vítima de trauma carro X muro, politraumatizado submetido a politransfusão devido choque hemorrágico decorrente de lesão esplênica e hemopneumotorax. Já foi submetido a drenagem torácica seguido de laparotomia com esplenectomia e rigoroso controle de hemostasia. Sem outros possíveis focos de hemorragia. Apesar dos procedimentos o dreno de tórax apresenta sangramento intermitente e em abdome se observa sangramento difuso. Como já foi feita politransfusão (acima de 8 concentrados de hemácias e plaquetas e plasma) e persiste com distúrbio de coagulação decide-se realizar um tromboelastograma, como se segue abaixo. A partir deste caso e com esse gráfico de tromboelastograma a melhor conduta será a administração de:

Alternativas

  1. A) Fator VIII.
  2. B) Plasma fresco congelado.
  3. C) Concentrado de plaquetas.
  4. D) Ácido tranexâmico.
  5. E) vitamina K

Pérola Clínica

Politraumatizado + choque hemorrágico + sangramento difuso + TEG com hiperfibrinólise → Ácido tranexâmico.

Resumo-Chave

Em pacientes politraumatizados com choque hemorrágico e sangramento persistente, especialmente após politransfusão, a hiperfibrinólise é uma causa comum de coagulopatia. O tromboelastograma (TEG) pode identificar esse padrão, e o ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, é a conduta de escolha para inibir a quebra do coágulo e controlar o sangramento.

Contexto Educacional

Pacientes politraumatizados com choque hemorrágico frequentemente desenvolvem uma coagulopatia complexa, conhecida como coagulopatia induzida por trauma (TIC). Esta condição é multifatorial, envolvendo diluição por fluidos, hipotermia, acidose, consumo de fatores de coagulação e, crucialmente, hiperfibrinólise. A hiperfibrinólise é a quebra excessiva de coágulos, levando a sangramento persistente e difuso, mesmo após o controle cirúrgico de focos óbvios. O tromboelastograma (TEG) é uma ferramenta valiosa que fornece uma avaliação em tempo real da função plaquetária, formação e estabilidade do coágulo, e fibrinólise. Um padrão de hiperfibrinólise no TEG (caracterizado por um rápido declínio na amplitude do coágulo após atingir o máximo) indica a necessidade de um antifibrinolítico. O ácido tranexâmico (TXA) é um medicamento antifibrinolítico que demonstrou reduzir a mortalidade em pacientes traumatizados com sangramento significativo, especialmente se administrado precocemente (dentro de 3 horas do trauma). Sua ação consiste em inibir a ativação do plasminogênio em plasmina, estabilizando o coágulo e reduzindo a perda sanguínea. A administração de Fator VIII, plasma fresco congelado ou concentrado de plaquetas seria indicada para outras alterações do TEG (deficiência de fatores, plaquetopenia), mas não para hiperfibrinólise isolada. A vitamina K é para deficiência de fatores dependentes de vitamina K, não para sangramento agudo por trauma.

Perguntas Frequentes

O que é a coagulopatia induzida por trauma (TIC)?

A TIC é uma disfunção da coagulação que ocorre precocemente após trauma grave, caracterizada por hipocoagulabilidade e hiperfibrinólise, contribuindo para o choque hemorrágico e pior prognóstico.

Como o tromboelastograma (TEG) auxilia no manejo da coagulopatia no trauma?

O TEG fornece uma avaliação global e dinâmica da hemostasia, identificando rapidamente distúrbios como hipocoagulabilidade, hipercoagulabilidade e hiperfibrinólise, permitindo uma terapia transfusional e farmacológica guiada.

Qual o mecanismo de ação do ácido tranexâmico e quando ele é indicado no trauma?

O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a ativação do plasminogênio em plasmina, prevenindo a degradação do coágulo. É indicado em pacientes traumatizados com sangramento significativo ou risco de sangramento, especialmente se houver evidência de hiperfibrinólise.

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