Coagulopatia no Trauma: Manejo e Transfusão de Hemoderivados

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023

Enunciado

Sobre a coagulopatia no trauma, assinale a incorreta.

Alternativas

  1. A) A transfusão maciça com diluição de plaquetas e de fatores de coagulação e os efeitos adversos da hipotermia na agregação plaquetária e na cascata da coagulação são as causas comuns de coagulopatia no doente traumatizado.
  2. B) As medidas do tempo de protrombina, do tempo de tromboplastina parcial e a contagem de plaquetas são estudos valiosos na primeira hora, especialmente no doente com historia de coagulopatia ou em uso de medicamentos que alterem a coagulação ou quando não há informações confiáveis quanto ao seu estado prévio de coagulação.
  3. C) Em doentes que não requerem transfusão maciça, o uso de plaquetas, crioprecipitado e plasma fresco congelado deve ser realizado de rotina nos choques classes II e III, porém não há necessidade de se realizar em caráter emergêncial sem provas cruzadas.
  4. D) Doentes com trauma craniencefálico grave são particularmente propensos ao desenvolvimento de anormalidades da coagulação. Os parâmetros da coagulação precisam ser monitorados amiúde nesses doentes; a administração precoce de plasma e/ou plaquetas melhora sua sobrevida quando eles são sabidamente usuários de anticoagulantes ou agentes antiplaquetários.

Pérola Clínica

Coagulopatia no trauma grave é multifatorial (diluição, hipotermia, acidose); transfusão de hemoderivados deve ser guiada por exames e clínica, não rotineira em choques classes II/III sem indicação.

Resumo-Chave

A coagulopatia no trauma é complexa e multifatorial, envolvendo diluição por fluidos, hipotermia e acidose. A transfusão de hemoderivados (plaquetas, crioprecipitado, PFC) não deve ser rotineira em choques classes II e III sem evidência de coagulopatia, mas sim guiada por exames laboratoriais e pela resposta clínica, especialmente em pacientes sem transfusão maciça.

Contexto Educacional

A coagulopatia é uma complicação grave e comum no paciente traumatizado, contribuindo significativamente para a morbimortalidade. Ela é multifatorial, resultante da "tríade letal" do trauma: hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia, além da diluição dos fatores de coagulação e plaquetas pela reposição volêmica agressiva. A identificação e o manejo precoce são cruciais para otimizar os resultados. Os exames laboratoriais como tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) e contagem de plaquetas são valiosos para monitorar a coagulação, especialmente na primeira hora e em pacientes com histórico de coagulopatia ou uso de anticoagulantes. A transfusão maciça, definida como a reposição de um volume sanguíneo total em 24 horas ou >10 unidades de concentrado de hemácias, é um cenário onde a coagulopatia dilucional é proeminente. O manejo da coagulopatia no trauma envolve o controle da hemorragia, reversão da hipotermia e acidose, e a administração criteriosa de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas e crioprecipitado) e agentes pró-coagulantes, guiada por protocolos de transfusão maciça e resultados laboratoriais. A administração de plaquetas, crioprecipitado e plasma fresco congelado não deve ser rotineira em choques classes II e III sem evidência de coagulopatia, e a realização de provas cruzadas é fundamental, exceto em situações de extrema urgência onde o tempo é crítico e o tipo O negativo é utilizado. Pacientes com trauma craniencefálico grave são particularmente vulneráveis a distúrbios de coagulação e requerem monitoramento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas da coagulopatia no paciente traumatizado?

As causas incluem diluição dos fatores de coagulação e plaquetas pela reposição volêmica, hipotermia, acidose metabólica, consumo de fatores na hemorragia e disfunção endotelial.

Quando a transfusão de plasma fresco congelado (PFC) e plaquetas é indicada no trauma?

PFC e plaquetas são indicados em pacientes com sangramento ativo e evidência laboratorial de coagulopatia (TP/TTPa prolongados, plaquetopenia) ou em protocolos de transfusão maciça, não de forma rotineira em choques classes II/III sem indicação.

Por que pacientes com Trauma Craniencefálico (TCE) grave são mais propensos a coagulopatias?

Pacientes com TCE grave podem desenvolver coagulopatia devido à liberação de tromboplastina tecidual do cérebro lesionado, ativando a cascata de coagulação e levando a coagulopatia de consumo, além dos fatores sistêmicos do trauma.

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