PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Homem de 28 anos chegou ao Pronto Socorro depois de um acidente automobilístico. Na reanimação inicial o exame FAST identificou líquido na fossa hepatorrenal. O paciente recebeu 18 unidades de concentrado de hemácias e foi encaminhado ao centro cirúrgico para laparotomia diagnóstica. A causa mais comum de sua coagulopatia persistente é:
Coagulopatia em trauma grave: hipocalcemia é causa comum e subestimada.
Em pacientes com trauma grave e transfusão maciça, a diminuição dos níveis de cálcio iônico (hipocalcemia) é uma causa comum e muitas vezes subestimada de coagulopatia persistente. O citrato presente nos concentrados de hemácias quela o cálcio, essencial para a cascata de coagulação.
A coagulopatia é uma complicação grave e comum em pacientes com trauma severo, contribuindo significativamente para a morbimortalidade. Ela faz parte da "tríade letal do trauma", juntamente com a hipotermia e a acidose metabólica, que se potencializam mutuamente, criando um ciclo vicioso que dificulta a hemostasia. O reconhecimento e manejo precoce da coagulopatia são cruciais para a sobrevida. As causas da coagulopatia em trauma são multifatoriais, incluindo a perda de fatores de coagulação e plaquetas devido à hemorragia, a hemodiluição causada pela reposição volêmica com cristaloides e a disfunção plaquetária e enzimática induzida pela hipotermia e acidose. No entanto, a hipocalcemia é uma causa frequentemente subestimada, especialmente em pacientes que recebem transfusão maciça. O citrato presente nos concentrados de hemácias atua como anticoagulante ao quelar o cálcio iônico. Em transfusões volumosas, o acúmulo de citrato pode levar a uma hipocalcemia significativa, comprometendo a cascata de coagulação que é dependente de cálcio. A monitorização e reposição de cálcio iônico são, portanto, componentes essenciais do manejo da coagulopatia induzida por trauma e transfusão maciça.
A tríade letal do trauma é composta por hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia, que se retroalimentam e pioram o prognóstico do paciente.
Os concentrados de hemácias contêm citrato, um anticoagulante que quela o cálcio iônico do paciente. A transfusão maciça pode levar à hipocalcemia, prejudicando a cascata de coagulação que depende do cálcio.
O cálcio iônico é um cofator essencial para diversas etapas da cascata de coagulação, incluindo a ativação de fatores de coagulação e a formação do coágulo de fibrina.
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