Icterícia e Coagulopatia: Avaliação Pré-Operatória Essencial

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Em qual situação a seguir se faz necessário um estudo da coagulação no pré-operatório?

Alternativas

  1. A) Paciente feminina de 45 anos que será submetida à quadrantectomia direita.
  2. B) Paciente masculino de 70 anos que será submetido à hernioplastia inguinal por via anterior.
  3. C) Paciente feminina de 35 anos que será submetida à cirurgia de varizes dos membros inferiores.
  4. D) Paciente feminina de 60 anos e ictérica que será submetida a uma derivação bileodigestiva.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva → deficiência de vitamina K → coagulopatia (TP/INR alterados) → estudo de coagulação pré-operatório essencial.

Resumo-Chave

Pacientes ictéricos, especialmente com icterícia obstrutiva, podem ter deficiência de vitamina K devido à má absorção de gorduras e, consequentemente, dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X), aumentando o risco de sangramento e exigindo avaliação e correção pré-operatória da coagulação.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente cirúrgico, visando identificar e otimizar condições que possam aumentar o risco de complicações. Entre essas condições, os distúrbios de coagulação merecem atenção especial, pois podem levar a sangramentos intra e pós-operatórios graves. Embora um coagulograma de rotina não seja indicado para todos os pacientes, ele se torna essencial em situações específicas de alto risco. Pacientes com icterícia, especialmente aqueles com icterícia obstrutiva (como no caso de uma derivação bileodigestiva), representam um grupo de alto risco para coagulopatias. A obstrução do fluxo biliar para o intestino impede a absorção adequada de gorduras e, consequentemente, da vitamina K, uma vitamina lipossolúvel. A vitamina K é crucial para a síntese hepática de vários fatores de coagulação (II, VII, IX e X). Sua deficiência resulta em uma coagulopatia que se manifesta principalmente com prolongamento do Tempo de Protrombina (TP) e aumento do INR. Portanto, em pacientes ictéricos programados para cirurgia, é imperativo solicitar um estudo completo da coagulação. A identificação precoce de um distúrbio de coagulação permite a correção pré-operatória, geralmente com a administração de vitamina K parenteral, ou, em casos mais graves ou de urgência, com plasma fresco congelado, minimizando o risco de sangramento e melhorando os resultados cirúrgicos.

Perguntas Frequentes

Por que a icterícia obstrutiva aumenta o risco de distúrbios de coagulação?

A icterícia obstrutiva impede o fluxo de bile para o intestino, resultando em má absorção de gorduras e, consequentemente, da vitamina K, que é lipossolúvel. A vitamina K é essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X, levando a uma coagulopatia por deficiência desses fatores.

Quais exames de coagulação são mais relevantes para avaliar um paciente ictérico no pré-operatório?

Os exames mais relevantes são o Tempo de Protrombina (TP) e o INR (International Normalized Ratio), que avaliam a via extrínseca e comum da coagulação, sendo sensíveis à deficiência dos fatores dependentes de vitamina K. O Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) também pode ser solicitado.

Qual a conduta para corrigir a coagulopatia em um paciente ictérico antes da cirurgia?

A correção geralmente envolve a administração de vitamina K parenteral (intramuscular ou intravenosa). Em casos de urgência ou falha na resposta à vitamina K, pode ser necessário o uso de plasma fresco congelado (PFC) para repor os fatores de coagulação.

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