Coagulopatia na DRC: Entenda a Disfunção Plaquetária

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

A coagulopatia da doença renal crônica é causada principalmente por

Alternativas

  1. A) consumo dos fatores da coagulação.
  2. B) disfunção plaquetária.
  3. C) menor concentração de eritropoietina.
  4. D) plaquetopenia.
  5. E) produção insuficiente dos fatores da coagulação.

Pérola Clínica

Coagulopatia na DRC → disfunção plaquetária por toxinas urêmicas, não plaquetopenia.

Resumo-Chave

A uremia na doença renal crônica leva ao acúmulo de toxinas que interferem na função plaquetária, como a adesão e agregação, resultando em um estado de sangramento. Embora a contagem de plaquetas seja geralmente normal, o tempo de sangramento é prolongado.

Contexto Educacional

A coagulopatia é uma complicação comum e clinicamente relevante na doença renal crônica (DRC), afetando a hemostasia e aumentando o risco de sangramento. Sua compreensão é fundamental para residentes, pois pacientes com DRC frequentemente necessitam de procedimentos invasivos ou cirurgias, onde o manejo adequado da coagulopatia é crucial para prevenir complicações hemorrágicas. A prevalência de distúrbios hemorrágicos aumenta com a progressão da disfunção renal. A principal causa da coagulopatia na DRC não é a plaquetopenia, mas sim a disfunção plaquetária. O acúmulo de toxinas urêmicas, como o ácido guanidinosuccínico, fenois e paratormônio, interfere na adesão, agregação e liberação de grânulos plaquetários, além de prejudicar a interação entre plaquetas e o endotélio vascular. O diagnóstico é clínico, com evidências de sangramento e tempo de sangramento prolongado, enquanto a contagem de plaquetas e os testes de coagulação intrínseca e extrínseca (TP, TTPa) geralmente permanecem normais. O tratamento visa corrigir a disfunção plaquetária. A diálise é a medida mais eficaz a longo prazo, pois remove as toxinas urêmicas. Para controle agudo de sangramentos ou antes de procedimentos, podem ser utilizados desmopressina (DDAVP), que aumenta a liberação de Fator de von Willebrand do endotélio, e estrogênios conjugados. Em situações de sangramento grave e refratário, a transfusão de concentrado de plaquetas pode ser considerada, embora seu efeito seja transitório.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de sangramento em pacientes com DRC?

Pacientes com DRC e disfunção plaquetária podem apresentar equimoses, petéquias, sangramento de mucosas (epistaxe, gengivorragia), sangramento gastrointestinal e prolongamento do tempo de sangramento em procedimentos.

Como a uremia afeta a função plaquetária?

A uremia leva ao acúmulo de toxinas como o ácido guanidinosuccínico, fenois e paratormônio, que inibem a adesão, agregação e liberação de grânulos plaquetários, além de prejudicar a interação plaqueta-vaso.

Qual é o tratamento para a disfunção plaquetária urêmica?

O tratamento inclui diálise para remover toxinas, desmopressina (DDAVP) para liberar Fator de von Willebrand, estrogênios conjugados e, em casos graves, transfusão de concentrado de plaquetas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo