UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
Homem de 27 anos e 72 kg. Vítima de acidente automobilístico, apresenta frequência cardíaca de 140 bpm, pressão arterial de 100/60 mmHg e frequência respiratória de 28 irpm. É levado à sala de cirurgia e após a abertura cirúrgica do abdome a pressão arterial diminui para 80/40 mmHg. A perda de sangue estimada é de cerca de 3.000 mL. Após administrar 2.500 ml de hidroxietilamido, o paciente apresenta sangramento difuso na ferida operatória. Qual o mecanismo provável para essa complicação?
Grande volume de fluidos (coloides/cristaloides) em choque hemorrágico → coagulopatia dilucional e sangramento.
A administração de grandes volumes de fluidos, especialmente coloides como o hidroxietilamido, em um paciente com choque hemorrágico e perda maciça de sangue, pode levar à diluição dos fatores de coagulação e plaquetas. Isso resulta em coagulopatia dilucional, manifestada por sangramento difuso na ferida operatória.
O choque hemorrágico em pacientes traumatizados é uma emergência médica que exige ressuscitação volêmica rápida. No entanto, a administração de grandes volumes de fluidos intravenosos, sejam cristaloides ou coloides, pode levar a uma complicação grave conhecida como coagulopatia dilucional. Esta condição é caracterizada pela diluição dos fatores de coagulação e plaquetas no sangue, comprometendo a hemostasia e exacerbando o sangramento. No caso clínico apresentado, a perda estimada de 3000 mL de sangue, seguida pela infusão de 2500 mL de hidroxietilamido, um coloide, é um cenário clássico para o desenvolvimento de coagulopatia dilucional. O hidroxietilamido, em particular, pode ter efeitos adicionais na coagulação, como a inibição da função plaquetária e a redução dos níveis de fator VIII e von Willebrand. A hipotensão persistente e o sangramento difuso são sinais de um distúrbio da coagulação. O manejo do choque hemorrágico com coagulopatia deve incluir uma estratégia de ressuscitação com controle de danos, que prioriza a reposição de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas) em proporções balanceadas, além do controle cirúrgico do sangramento. A monitorização contínua da coagulação é essencial para guiar a terapia e evitar a progressão da coagulopatia.
É uma alteração da coagulação sanguínea causada pela diluição dos fatores de coagulação e plaquetas devido à infusão de grandes volumes de fluidos intravenosos, como cristaloides ou coloides, sem reposição concomitante de componentes sanguíneos.
O hidroxietilamido, um coloide, pode causar coagulopatia dilucional, disfunção plaquetária e, em alguns casos, lesão renal aguda, especialmente em pacientes críticos e com choque séptico.
A prevenção envolve uma ressuscitação volêmica balanceada, com uso criterioso de fluidos e reposição precoce de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) conforme a necessidade e a estratégia de controle de danos.
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