UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Menina de 12 anos de idade, refere dismenorreia intensa e sangramento vaginal intenso na menarca, necessitando procurar unidade de pronto-atendimento. Nega: coitarca, uso de medicamentos e traumas. Exame físico: hipocorada 3+/4, PA= 80/50 mmHg, pulso= 106 pulsações por minuto; ausência de lesões em órgãos genitais externos. Exames complementares: Beta-HCG negativo (gonadotrofina coriônica humana), hemoglobina= 6.2 g/dl, plaquetas= 250 000 / mm³ . Ultrassonografia pélvica sem outras alterações. O diagnóstico mais provável é
Menarca com sangramento intenso + anemia + USG normal → suspeitar coagulopatia (ex: Doença de von Willebrand).
A paciente apresenta menorragia grave na menarca, com anemia significativa e sinais de hipovolemia, sem alterações anatômicas no ultrassom. Em adolescentes com sangramento uterino disfuncional grave e anemia, a principal hipótese diagnóstica a ser investigada é uma coagulopatia, como a Doença de von Willebrand.
O sangramento uterino anormal (SUA) em adolescentes, especialmente na menarca, pode ser um desafio diagnóstico. Embora a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, levando a ciclos anovulatórios, seja uma causa comum de sangramento irregular, a presença de menorragia intensa com anemia significativa, como no caso descrito, deve levantar a suspeita de uma coagulopatia subjacente. A ausência de alterações anatômicas na ultrassonografia pélvica reforça essa hipótese. As coagulopatias hereditárias, como a Doença de von Willebrand, são causas importantes e frequentemente subdiagnosticadas de menorragia em adolescentes. Outras deficiências de fatores de coagulação ou disfunções plaquetárias também podem se manifestar com sangramento menstrual excessivo. A história clínica detalhada, incluindo sangramentos em outros locais (epistaxe, gengivorragia, equimoses fáceis) e histórico familiar, é crucial para a investigação. O manejo inicial envolve a estabilização hemodinâmica e a correção da anemia. A investigação diagnóstica deve incluir exames de coagulação completos. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado da coagulopatia são essenciais para prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida da paciente.
As principais causas incluem imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (ciclos anovulatórios), coagulopatias (como Doença de von Willebrand), e menos frequentemente, distúrbios tireoidianos ou outras endocrinopatias.
A Doença de von Willebrand é a coagulopatia hereditária mais comum e frequentemente se manifesta com sangramento mucocutâneo, incluindo menorragia intensa desde a menarca, sendo uma causa subdiagnosticada.
Além do hemograma completo, devem ser solicitados tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), fibrinogênio, e, se houver suspeita, testes específicos para Doença de von Willebrand (Fator von Willebrand antígeno, atividade do cofator ristocetina) e outros fatores de coagulação.
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