CIVD e Reposição de Fibrinogênio: Conduta com Crioprecipitado

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Paciente submetido a laparotomia exploratória de urgência após quadro de abdome agudo perfurativo, evoluiu em pós-operatório com plaquetopenia progressiva, alargamento de tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPA) e fibrinogênio consumido = 85 mg/dL, sem sangramento ativo. Qual é a conduta hemoterápica adequada para este caso?

Alternativas

  1. A) Transfusão de plasma fresco congelado (PFC) 20 ml/Kg.
  2. B) Transfusão de plasma fresco congelado (PFC) 1 UI/10 Kg.
  3. C) Transfusão de Crioprecipitado 1 UI/10 Kg.
  4. D) Transfusão de Crioprecipitado 20 mL/Kg.

Pérola Clínica

Fibrinogênio < 100 mg/dL em coagulopatia de consumo → Crioprecipitado 1 UI/10 kg.

Resumo-Chave

Em quadros de coagulopatia de consumo (CIVD) com fibrinogênio abaixo de 100 mg/dL, a reposição específica com crioprecipitado é superior ao plasma para evitar sobrecarga volêmica.

Contexto Educacional

A Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é uma síndrome sistêmica caracterizada pela ativação generalizada da coagulação, levando à formação de microtrombos e, paradoxalmente, ao consumo de fatores e plaquetas, resultando em diátese hemorrágica. No pós-operatório de grandes cirurgias ou sepse, o monitoramento do fibrinogênio é crucial, pois ele é um dos primeiros fatores a se esgotar.\n\nO manejo hemoterápico deve ser guiado por metas laboratoriais e clínicas. O uso do crioprecipitado (obtido a partir do descongelamento do PFC a 4°C) é a estratégia mais eficiente para repor fibrinogênio de forma rápida e segura. A compreensão da farmacocinética dos hemocomponentes é essencial para o residente de cirurgia e terapia intensiva evitar complicações iatrogênicas.

Perguntas Frequentes

Qual o gatilho para transfusão de crioprecipitado na CIVD?

O gatilho clássico é um nível de fibrinogênio inferior a 100 mg/dL, especialmente em pacientes com risco de sangramento ou necessidade de procedimentos invasivos. O crioprecipitado é rico em fibrinogênio, fator VIII, fator XIII e fator de von Willebrand, permitindo uma reposição concentrada desses componentes sem a necessidade de grandes volumes de plasma.

Por que não usar Plasma Fresco Congelado (PFC) neste caso?

Embora o PFC contenha fibrinogênio, sua concentração é baixa. Para elevar significativamente o fibrinogênio em um paciente com 85 mg/dL, seriam necessários volumes massivos de PFC, aumentando o risco de sobrecarga volêmica e lesão pulmonar aguda (TRALI). O crioprecipitado é o hemocomponente de escolha para hipofibrinogenemia isolada ou predominante.

Como calcular a dose de crioprecipitado?

A dose padrão recomendada é de 1 unidade para cada 10 kg de peso do paciente. Essa dosagem geralmente é suficiente para elevar o fibrinogênio sérico em cerca de 50 a 100 mg/dL, auxiliando na estabilização da cascata de coagulação em contextos de consumo excessivo como o abdome agudo perfurativo.

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