CIVD na Sepse: Entenda as Alterações Laboratoriais

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019

Enunciado

Homem de 32 anos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo I encontra-se internado em Unidade de Terapia Intensiva por quadro séptico secundário a abscesso perianal e apresenta sangramento em sítios múltiplos associado a trombocitopenia. Neste contexto, qual das alterações abaixo NÃO é esperada?

Alternativas

  1. A) Aumento do tempo de tromboplastina parcial ativada
  2. B) Diminuição dos níveis séricos de fibrinogênio
  3. C) Esquizócitos no sangue periférico 
  4. D) Produtos de degradação da fibrina diminuídos

Pérola Clínica

CIVD na sepse: ↑ TTPa, ↓ fibrinogênio, ↑ PDF/D-dímero, esquizócitos. PDF ↓ NÃO é esperado.

Resumo-Chave

A Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é uma complicação grave da sepse, caracterizada por ativação descontrolada da coagulação e fibrinólise. Isso leva ao consumo de fatores de coagulação e plaquetas, resultando em trombocitopenia, prolongamento dos tempos de coagulação e aumento dos produtos de degradação da fibrina (PDFs) e D-dímero.

Contexto Educacional

A Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é uma síndrome complexa e grave, frequentemente associada à sepse, que representa uma ativação sistêmica e descontrolada da coagulação e fibrinólise. É uma das complicações mais temidas da sepse, com alta morbidade e mortalidade. A compreensão de sua fisiopatologia e manifestações laboratoriais é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, especialmente em pacientes críticos. Na CIVD, a resposta inflamatória sistêmica da sepse leva à liberação de citocinas e mediadores que ativam a cascata de coagulação, resultando na formação generalizada de microtrombos. Isso consome rapidamente fatores de coagulação e plaquetas, levando à trombocitopenia e ao prolongamento dos tempos de coagulação (TP e TTPa). Simultaneamente, o sistema fibrinolítico é ativado para tentar dissolver esses trombos, o que resulta em um aumento significativo dos produtos de degradação da fibrina (PDFs) e D-dímero. O manejo da CIVD é primariamente o tratamento da condição subjacente, neste caso, a sepse e o abscesso perianal. Medidas de suporte incluem transfusão de plaquetas e plasma fresco congelado para corrigir a trombocitopenia e a deficiência de fatores de coagulação, respectivamente, em casos de sangramento ativo ou procedimentos invasivos. A presença de esquizócitos no sangue periférico é um achado importante que corrobora o diagnóstico de CIVD, indicando hemólise microangiopática.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da CIVD?

As manifestações clínicas da CIVD são variadas e podem incluir sangramento em múltiplos sítios (petéquias, equimoses, sangramento de mucosas), trombose (isquemia de extremidades, disfunção orgânica) e sinais de anemia microangiopática.

Por que o fibrinogênio diminui na CIVD?

O fibrinogênio diminui na CIVD devido ao seu consumo excessivo no processo de formação de coágulos e, posteriormente, pela sua degradação acelerada pela fibrinólise secundária, que tenta compensar a hipercoagulabilidade inicial.

Qual o significado dos esquizócitos no sangue periférico na CIVD?

Os esquizócitos são fragmentos de eritrócitos que surgem devido à sua destruição mecânica ao passar por microtrombos na microcirculação. Sua presença no esfregaço de sangue periférico é um marcador de anemia hemolítica microangiopática, comum na CIVD.

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