UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021
Uma mulher de 34 anos apresenta sangramento uterino significativo após parto vaginal complicado por descolamento de placenta. Ela apresenta também sangramento a partir de múltiplos locais de punção venosa. Qual das alternativas a seguir é a melhor terapia?
Hemorragia pós-parto + sangramento em múltiplos sítios → CIV. Prioridade: correção da coagulopatia.
O sangramento uterino significativo após descolamento de placenta, associado a sangramento em múltiplos locais de punção, é altamente sugestivo de Coagulação Intravascular Disseminada (CIV). Nesses casos, a correção da coagulopatia subjacente com transfusão de componentes sanguíneos (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas, crioprecipitado) é a medida terapêutica mais urgente e eficaz.
A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. O descolamento prematuro de placenta é uma emergência obstétrica que pode levar a HPP grave e, frequentemente, desencadear uma coagulopatia de consumo, como a Coagulação Intravascular Disseminada (CIV). A CIV é uma síndrome caracterizada por ativação sistêmica e desregulada da coagulação, levando à formação de trombos microvasculares e, paradoxalmente, a sangramentos devido ao consumo de fatores de coagulação e plaquetas. No contexto obstétrico, o descolamento de placenta libera tromboplastina tecidual na circulação materna, iniciando a cascata de coagulação. O manejo da HPP com CIV exige uma abordagem multidisciplinar e rápida. Enquanto medidas para controlar o sangramento uterino são importantes, a prioridade é a correção da coagulopatia subjacente. Isso envolve a reposição agressiva de componentes sanguíneos (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas e crioprecipitado) guiada por exames laboratoriais, visando restaurar a hemostasia e prevenir o choque hemorrágico.
Os principais fatores incluem descolamento prematuro de placenta, embolia de líquido amniótico, pré-eclâmpsia grave/HELLP, sepse e retenção de feto morto.
Exames como tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), fibrinogênio, D-dímero, contagem de plaquetas e esfregaço de sangue periférico (para esquizócitos) são cruciais.
A conduta inicial envolve a transfusão de componentes sanguíneos, como concentrado de hemácias para anemia, plasma fresco congelado para fatores de coagulação, plaquetas para trombocitopenia e crioprecipitado para repor fibrinogênio.
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