Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Paciente de 70 anos, sexo masculino, com histórico de hipertensão arterial e diabetes mellitus, é admitido no Pronto-Socorro com queixa de fraqueza extrema, palidez acentuada e dor abdominal difusa. Ao exame físico, observa-se icterícia, hepatomegalia, sinais de sangramento (petéquias e equimoses) e taquicardia. A pressão arterial é de 90 × 60 mmHg e a frequência cardíaca é de 110 bpm. Os exames laboratoriais revelam hemoglobina de 8 g/dL, plaquetas de 50 000/mm³ e bilirrubinas totais de 3 mg/dL. A creatinina é de 1,5 mg/dL e a ureia é de 50 mg/dL. Adicionalmente, o paciente apresenta aumento dos níveis de lactato desidrogenase (LDH), e o esfregaço de sangue periférico revela esquizócitos. Com base nessa apresentação clínica, qual é a suspeita diagnóstica?
Esquizócitos + Plaquetopenia + Alargamento de TAP/TTPA = Coagulação Intravascular Disseminada (CID).
A CID é um distúrbio sistêmico caracterizado pela ativação excessiva da coagulação, gerando trombos microvasculares e consumo de plaquetas e fatores, resultando em hemorragia.
A Coagulação Intravascular Disseminada (CID) não é uma doença primária, mas uma complicação secundária a condições graves como sepse, neoplasias, traumas extensos ou complicações obstétricas. A fisiopatologia envolve a exposição sistêmica de fator tecidual, levando à geração descontrolada de trombina. Isso resulta em dois fenômenos paradoxais: trombose microvascular (causando isquemia orgânica) e diátese hemorrágica (devido ao consumo de plaquetas e fatores de coagulação).\n\nO diagnóstico baseia-se em escores clínicos e laboratoriais (como o da ISTH), que avaliam a contagem de plaquetas, o prolongamento dos tempos de coagulação, a redução do fibrinogênio e o aumento de marcadores de degradação de fibrina. O tratamento deve focar primordialmente na resolução da causa base, com suporte transfusional (plaquetas, crioprecipitado ou plasma) reservado para pacientes com sangramento ativo ou alto risco de procedimentos.
Esquizócitos são fragmentos de hemácias que surgem devido à fragmentação mecânica ao passarem por microvasos parcialmente obstruídos por redes de fibrina. Na Coagulação Intravascular Disseminada (CID), sua presença no esfregaço de sangue periférico é um marcador clássico de anemia hemolítica microangiopática, refletindo a deposição intravascular de fibrina e a patologia trombótica subjacente.
A principal diferença reside nos testes de coagulação. Na CID, há consumo sistêmico de fatores de coagulação, resultando em prolongamento do Tempo de Protrombina (TAP) e do Tempo de Thromboplastina Parcial Ativada (TTPA), além de queda do fibrinogênio. Na PTT, a patogênese é mediada pela deficiência da enzima ADAMTS13, e tipicamente o TAP, TTPA e fibrinogênio permanecem dentro da normalidade, apesar da trombocitopenia severa.
O D-dímero é um produto de degradação da fibrina cross-linked. Na CID, a intensa ativação da coagulação seguida pela fibrinólise secundária eleva significativamente os níveis de D-dímero. Embora não seja específico, um valor elevado em conjunto com plaquetopenia e prolongamento de tempos de coagulação é altamente sugestivo de CID no contexto clínico apropriado.
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