Adenomiose: Diagnóstico por USG e Tratamento com DIU Hormonal

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023

Enunciado

CMA, 45 anos, GIII PIII A0, 3PC + Laqueadura tubária, refere ciclos regulares, duração de 05 dias, porém com queixa de dismenorreia progressiva com piora nos últimos 04 anos, de forte intensidade nos três primeiros dias, associada com aumento de fluxo menstrual e duração de 05 dias. Apresenta USG Transvaginal com útero vol. 150 cm³ globoso, assimetria de paredes uterinas, espessamento difuso da zona juncional de 14 mm e focos hiperecogênicos, endométrio de 12 mm, ovário direito vol. 8 cm³ e ovário esquerdo vol. 12 cm³. Diante desse resultado, o diagnóstico e tratamento inicial são:

Alternativas

  1. A) Adenomiose e histerectomia total.
  2. B) Endometriose e início terapia hormonal.
  3. C) Adenometriose e inserção de DIU Hormonal.
  4. D) Endometriose e histerectomia laparoscópica.

Pérola Clínica

Dismenorreia progressiva + menorragia + USG com útero globoso e zona juncional espessada = Adenomiose. DIU hormonal é tratamento inicial.

Resumo-Chave

A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial no miométrio, causando dismenorreia progressiva e menorragia. O ultrassom transvaginal com achados de útero globoso, assimetria de paredes e espessamento da zona juncional é altamente sugestivo. O DIU hormonal (levonorgestrel) é uma excelente opção de tratamento inicial devido à sua ação local.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica benigna caracterizada pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) dentro do miométrio, a camada muscular do útero. É mais comum em mulheres multíparas na perimenopausa, mas pode ocorrer em qualquer idade reprodutiva. Sua prevalência é subestimada devido à dificuldade diagnóstica, mas é uma causa importante de dismenorreia e sangramento uterino anormal. A fisiopatologia envolve a invasão do endométrio basal no miométrio, possivelmente por trauma uterino (partos, cirurgias) ou por uma alteração na barreira juncional. Os sintomas incluem dismenorreia progressiva, menorragia e dor pélvica crônica. O diagnóstico é fortemente sugerido pela ultrassonografia transvaginal, que revela útero globoso, assimetria das paredes uterinas e espessamento da zona juncional (camada interna do miométrio). A ressonância magnética pélvica pode ser utilizada para confirmação em casos duvidosos. O tratamento da adenomiose depende da gravidade dos sintomas e do desejo de fertilidade da paciente. Para mulheres que não desejam engravidar e com sintomas moderados a graves, o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal) é a primeira linha de tratamento, pois atua localmente, reduzindo o sangramento e a dor. Outras opções incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor e, em casos refratários ou quando a fertilidade não é uma preocupação, a histerectomia é o tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da adenomiose?

Os sintomas clássicos da adenomiose incluem dismenorreia progressiva (dor menstrual que piora com o tempo), menorragia (sangramento menstrual excessivo e prolongado) e, ocasionalmente, dor pélvica crônica e dispareunia.

Como a ultrassonografia transvaginal auxilia no diagnóstico da adenomiose?

A USG transvaginal é fundamental, mostrando achados como útero globoso e aumentado, assimetria das paredes uterinas, espessamento difuso ou focal da zona juncional (geralmente >12 mm), e a presença de cistos ou focos hiperecogênicos no miométrio, que representam glândulas endometriais ectópicas.

Por que o DIU hormonal (levonorgestrel) é uma boa opção para o tratamento da adenomiose?

O DIU hormonal libera levonorgestrel diretamente no útero, promovendo atrofia do endométrio e do tecido endometrial ectópico no miométrio. Isso resulta na redução da dismenorreia e da menorragia, melhorando significativamente a qualidade de vida da paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo