UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente feminina 76 anos, hipertensa e diabética, é internada para tratamento de pneumonia comunitária tendo feito uso de ceftriaxone 2 g/dia por 7 dias. Recebeu alta após esse período com melhora importante do quadro. Uma semana após alta hospitalar paciente inicia quadro de diarreia aquosa, cerca de 8 episódios ao dia, associada a dor abdominal e febre. Pensando na Colite Pseudomembranosa como principal hipótese diagnóstica, assinale a resposta correta sobre os fatores de risco para a infecção pelo Clostridioides difficile (CD):
C. difficile comunitário está em ascensão (~30%). Hospitalização e ATB prévio são riscos clássicos.
A infecção por C. difficile não é mais exclusivamente hospitalar. Antibióticos de amplo espectro alteram a microbiota, permitindo a proliferação do bacilo e liberação de toxinas.
O Clostridioides difficile é um bacilo gram-positivo, anaeróbio e formador de esporos. A patogênese envolve a disbiose da microbiota intestinal, geralmente induzida por antibióticos, permitindo que o C. diff colonize o cólon e produza toxinas que causam inflamação e dano epitelial. Fatores de risco tradicionais incluem idade avançada, hospitalização recente e uso de inibidores de bomba de prótons. O tratamento de primeira linha para episódios iniciais mudou recentemente em diretrizes internacionais, priorizando a fidaxomicina ou vancomicina oral, reservando o metronidazol apenas para casos leves em cenários de recursos limitados.
Embora quase qualquer antibiótico possa predispor à infecção, os de maior risco são as clindamicinas, fluoroquinolonas, cefalosporinas de 2ª e 3ª gerações e penicilinas de amplo espectro.
Sim. A infecção por C. difficile adquirida na comunidade (CA-CDI) é uma realidade crescente, representando cerca de 30% dos casos, muitas vezes afetando populações mais jovens e sem exposição prévia a antibióticos.
O diagnóstico baseia-se no quadro clínico de diarreia associado à detecção de toxinas A/B nas fezes, teste de GDH (glutamato desidrogenase) ou PCR para genes de toxina. A colonoscopia com visualização de pseudomembranas é confirmatória, mas nem sempre necessária.
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