AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
A infecção colônica causada pelo Clostridium difficile é causa de diarreia aguda no ambiente hospitalar. Sobre o assunto, analise as assertivas abaixo: I. É causada pelo uso indiscriminado de antibioticoterapia e má antissepsia dos profissionais de saúde. II. Seu tratamento pode variar conforme a gravidade e, quando invasiva, no uso de antibioticoterapia direcionada. III. O paciente com tal enfermidade não necessita de isolamento de contato, sendo somente o uso de máscaras faciais o suficiente para reduzir contaminação. Quais estão corretas?
C. difficile → Diarreia pós-ATB + Isolamento de contato + Lavagem das mãos com água e sabão.
A infecção por C. difficile é a principal causa de diarreia nosocomial, associada ao uso de antibióticos e falhas na higiene. O isolamento de contato é obrigatório devido à resistência dos esporos ao álcool.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD) representa um desafio significativo no ambiente hospitalar. A patogênese envolve a disbiose da microbiota intestinal, geralmente induzida por antibioticoterapia, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação mucosa e formação de pseudomembranas. O controle da transmissão é crítico: o paciente deve ser colocado em isolamento de contato (quarto privativo, uso de luvas e avental). É fundamental destacar que os esporos são altamente resistentes no ambiente e ao álcool em gel; portanto, a lavagem das mãos com água e sabão é a única medida eficaz para a remoção mecânica dos esporos. O tratamento deve ser iniciado prontamente, preferencialmente com vancomicina oral, e o agente antimicrobiano desencadeante deve ser suspenso sempre que possível.
Embora quase qualquer antibiótico possa predispor à infecção, os mais frequentemente associados são as clindamicinas, fluoroquinolonas, cefalosporinas de 2ª e 3ª gerações e penicilinas de amplo espectro. O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) também é um fator de risco reconhecido.
O diagnóstico baseia-se na detecção de toxinas (A e B) nas fezes via imunoensaio (ELISA) ou na detecção do gene da toxina por testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT/PCR). A pesquisa do antígeno GDH (glutamato desidrogenase) é usada como teste de triagem devido à sua alta sensibilidade.
Atualmente, as diretrizes internacionais (IDSA/SHEA) recomendam a Vancomicina oral (125mg 4x/dia) ou a Fidaxomicina como primeira linha para o primeiro episódio, independentemente da gravidade. O Metronidazol é reservado apenas para casos leves em cenários onde as outras opções não estão disponíveis.
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