Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 38 anos, diabética, em uso de hipoglicemiantes orais, hospitalizada, no quinto dia de tratamento de pneumonia aspirativa, sem sintomas gastrointestinais, apresenta exame positivo para toxinas de Clostridioides difficile, exame colhido como protocolo do hospital para todos os pacientes que estejam recebendo antibióticos endovenosos há mais de 3 dias. A conduta correta é:
C. difficile positivo sem sintomas gastrointestinais → Não tratar, paciente é portador assintomático.
A detecção de toxinas de Clostridioides difficile em pacientes assintomáticos, mesmo em uso de antibióticos, não justifica tratamento. Esses pacientes são considerados portadores assintomáticos e o tratamento pode desequilibrar a microbiota e selecionar cepas resistentes.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD) é uma das principais causas de diarreia associada a antibióticos e infecções hospitalares. É causada pela produção de toxinas A e B pela bactéria, que levam à inflamação e lesão da mucosa colônica. O diagnóstico baseia-se na presença de sintomas gastrointestinais (principalmente diarreia) e na detecção das toxinas ou do gene da toxina em amostras de fezes. É crucial diferenciar a colonização assintomática da infecção ativa. Muitos pacientes, especialmente em ambientes hospitalares ou que receberam antibióticos, podem ser portadores assintomáticos de C. difficile, com testes positivos para toxinas, mas sem desenvolver diarreia. Nesses casos, o tratamento não é indicado, pois não há benefício clínico e pode até ser prejudicial, promovendo a seleção de cepas resistentes e desequilibrando a microbiota intestinal. A conduta correta para um paciente com teste positivo para C. difficile, mas sem sintomas gastrointestinais, é não tratar. O foco deve ser na interrupção de antibióticos desnecessários, se possível, e na implementação de medidas de controle de infecção para evitar a transmissão. O tratamento é reservado para pacientes sintomáticos, com opções como vancomicina oral ou fidaxomicina, dependendo da gravidade da doença.
O teste para C. difficile deve ser realizado apenas em pacientes com diarreia inexplicada (três ou mais evacuações amolecidas em 24 horas) e fatores de risco, como uso recente de antibióticos.
Colonização é a presença da bactéria e/ou suas toxinas sem sintomas. Infecção é a presença da bactéria e toxinas associada a sintomas, principalmente diarreia. Apenas a infecção sintomática requer tratamento.
O tratamento desnecessário pode alterar a microbiota intestinal, selecionar cepas resistentes, aumentar o risco de infecção sintomática futura e não oferece benefício clínico ao paciente assintomático.
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