AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente masculino, 75 anos, internado em ambiente de enfermaria em tratamento de pneumonia refratária a tratamento domiciliar. Fez uso prévio de amoxicilina e está atualmente em uso de piperacilina-tazobactam. Evoluiu com queixa de múltiplos episódios de diarreia líquida sem produtos patológicos no 5º dia de internamento. Considerando a hipótese diagnóstica de colite por Clostridium difficile, assinale a alternativa correta:
Antibióticos de amplo espectro → Disbiose → Proliferação de C. difficile e toxinas.
A infecção por C. difficile é desencadeada pela destruição da microbiota protetora por antibióticos, permitindo a colonização e liberação de toxinas citotóxicas.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD) tornou-se uma das principais causas de diarreia nosocomial. A patogênese envolve a ingestão de esporos resistentes ao ambiente, que germinam no cólon após a microbiota ser depletada por antibióticos. As toxinas A (enterotoxina) e B (citotoxina) causam inflamação intensa e formação de pseudomembranas. O controle de infecção hospitalar é crítico: pacientes devem ser colocados em precaução de contato. Como os esporos são resistentes ao álcool, a lavagem das mãos com água e sabão é essencial para a remoção mecânica. O tratamento deve focar na suspensão do antibiótico desencadeante, se possível, e no início de terapia específica via oral (a vancomicina endovenosa não atinge níveis luminais terapêuticos).
Praticamente qualquer antibiótico pode predispor à infecção, mas os grupos de maior risco incluem as clindamicinas, fluoroquinolonas (como ciprofloxacino), cefalosporinas de 2ª e 3ª gerações e penicilinas de amplo espectro (como ampicilina e amoxicilina). Eles alteram a flora colônica normal que impede o crescimento do Clostridium.
O diagnóstico baseia-se na detecção de toxinas (A e B) nas fezes por ensaios imunoenzimáticos (ELISA) ou na detecção do gene da toxina por PCR. A presença da enzima GDH (glutamato desidrogenase) é um teste de triagem sensível para a presença da bactéria, mas não confirma a produção de toxina.
De acordo com as diretrizes mais recentes (IDSA/SHEA), a Vancomicina oral ou a Fidaxomicina são preferíveis ao Metronidazol para o primeiro episódio de infecção, independentemente da gravidade. O Metronidazol oral só é recomendado em cenários de baixo risco ou indisponibilidade de Vancomicina.
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