Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Mulher, 52 anos de idade, refere fogachos e sudorese noturna há 6 meses. Refere secura vaginal e dispareunia de penetração. É sobrevivente de câncer de mama, faz uso de anastrozol. Nega outras comorbidades. A conduta mais adequada, dentre as abaixo, é:
Câncer de mama → Contraindica TH sistêmica; usar ISRS/ISRN para fogachos e hidratantes/estrogênio local.
Sobreviventes de câncer de mama com sintomas climatéricos requerem terapias não hormonais para sintomas vasomotores e opções locais de baixa absorção para atrofia vaginal.
O manejo dos sintomas do climatério em sobreviventes de câncer de mama é um desafio clínico devido à contraindicação de estrogênios sistêmicos, que poderiam estimular células neoplásicas residuais. Para os fogachos, fármacos como a desvenlafaxina, paroxetina ou gabapentina são as opções de escolha. No caso da atrofia urogenital, agravada pelo uso de inibidores de aromatase (como o anastrozol), a abordagem inicia-se com métodos não hormonais. O uso de estrogênios tópicos deve ser individualizado, priorizando compostos com mínima absorção sistêmica para mitigar riscos de recorrência.
A Desvenlafaxina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRN), atua no centro termorregulador hipotalâmico, reduzindo a frequência e intensidade dos fogachos. É uma alternativa eficaz e segura para mulheres que possuem contraindicação absoluta à terapia hormonal estrogênica, como as sobreviventes de câncer de mama, sem interferir na eficácia do tratamento oncológico.
O promestrieno é um estrogênio de baixíssima absorção sistêmica, agindo quase exclusivamente na mucosa vaginal. Embora o uso de estrogênios locais em pacientes com câncer de mama seja debatido, ele é frequentemente considerado após falha de hidratantes e lubrificantes, especialmente se a paciente apresentar sintomas severos de atrofia que impactam a qualidade de vida.
A primeira linha para a síndrome geniturinária da menopausa em pacientes de alto risco oncológico inclui hidratantes vaginais de longa duração e lubrificantes à base de água durante o coito. Se os sintomas persistirem e impactarem severamente a qualidade de vida, a terapia estrogênica local de baixa dose (como promestrieno ou estriol) pode ser discutida em conjunto com a equipe de oncologia.
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