UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Leia o texto abaixo para responder a questão 37. “Há doenças piores que as doenças, Há dores que não doem, nem na alma Mas que são dolorosas mais que as outras. Há angústias sonhadas mais reais Que as que a vida nos traz, há sensações Sentidas só com imaginá-las Que são mais nossas do que a própria vida.” Trecho de “H doenças piores que as doenças” Fernando Pessoa (Cancioneiro); O poema acima, cujo autor foi vítima de cirrose hepática doença ainda muito estigmatizada, requer avaliação do grau de acometimento secundário da encefalopatia. Neste sentido, o estágio da encefalopatia hepática é melhor graduado através da/do:
Encefalopatia hepática: o estágio é melhor graduado pela Classificação de West-Haven, focada nos sinais neuropsiquiátricos.
A Classificação de West-Haven é a ferramenta padrão para avaliar a gravidade da encefalopatia hepática, baseando-se em alterações do nível de consciência, comportamento e sinais neurológicos. Diferencia-se de outras escalas por ser específica para as manifestações neuropsiquiátricas dessa condição, essencial para o manejo clínico.
A encefalopatia hepática (EH) é uma complicação neuropsiquiátrica da doença hepática grave, caracterizada por um espectro de anormalidades neurológicas e psiquiátricas. É uma condição comum em pacientes com cirrose, afetando significativamente a qualidade de vida e o prognóstico. A compreensão de sua avaliação é fundamental para residentes, pois permite o reconhecimento precoce e a intervenção adequada, prevenindo a progressão para estágios mais graves. A fisiopatologia da EH envolve a acumulação de neurotoxinas, principalmente amônia, que não são adequadamente metabolizadas pelo fígado disfuncional. Essas toxinas afetam a função cerebral, alterando a neurotransmissão e o metabolismo energético neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e a Classificação de West-Haven é a ferramenta padrão para estadiar a gravidade, avaliando o nível de consciência, comportamento e presença de asterixe. É crucial suspeitar de EH em qualquer paciente com doença hepática que apresente alterações neurológicas ou comportamentais. O tratamento da EH visa reduzir a produção e absorção de amônia, com lactulose e rifaximina sendo as principais terapias. O prognóstico depende da gravidade da doença hepática subjacente e da resposta ao tratamento. Residentes devem estar atentos à identificação dos fatores precipitantes da EH, como infecções, sangramento gastrointestinal e desidratação, para otimizar o manejo e melhorar os desfechos dos pacientes.
Os sinais da encefalopatia hepática variam de alterações sutis de personalidade e humor (estágio I) a confusão mental, desorientação, asterixe (flapping tremor) (estágios II e III), e finalmente coma (estágio IV). A progressão reflete o acúmulo de neurotoxinas, como a amônia.
A Classificação de West-Haven é preferível porque foi desenvolvida especificamente para a encefalopatia hepática, abordando as alterações neuropsiquiátricas características da condição. Ela permite uma avaliação mais detalhada e padronizada da gravidade, guiando decisões terapêuticas e prognósticas de forma mais precisa do que escalas genéricas.
A encefalopatia hepática se diferencia pela presença de doença hepática subjacente (cirrose, insuficiência hepática aguda), achados laboratoriais como hiperamonemia, e um padrão de disfunção cerebral que pode incluir asterixe e alterações eletroencefalográficas específicas. A exclusão de outras causas metabólicas, estruturais ou infecciosas é crucial para o diagnóstico diferencial.
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