Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025
Em um paciente do sexo masculino em investigação de infertilidade conjugal, foi examinada a bolsa escrotal com evidência de cordões varicosos à esquerda, sendo possível a sua palpação em repouso, mas sem visibilidade. Como deve ser classificada essa varicocele?
Varicocele: Grau I = palpável só com Valsalva; Grau II = palpável em repouso (não visível); Grau III = visível.
A classificação clínica da varicocele (Dubin e Amelar) é fundamental para a avaliação e decisão terapêutica. O Grau II, palpável em repouso sem ser visível, representa uma dilatação moderada do plexo pampiniforme, sendo uma causa comum e tratável de infertilidade masculina.
A varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme na bolsa escrotal, sendo a causa mais comum de infertilidade masculina tratável. Afeta cerca de 15% da população masculina geral e até 40% dos homens com infertilidade. Sua ocorrência é predominantemente à esquerda (cerca de 90%) devido a fatores anatômicos da drenagem venosa testicular. O diagnóstico da varicocele é primariamente clínico, baseado no exame físico da bolsa escrotal com o paciente em pé. A classificação de Dubin e Amelar é a mais utilizada: Grau I (pequena) é aquela palpável apenas com a manobra de Valsalva; Grau II (moderada) é palpável em repouso, mas não visível; e Grau III (grande) é facilmente visível à distância. A descrição do enunciado, palpável em repouso mas sem visibilidade, corresponde exatamente ao Grau II. A fisiopatologia do dano testicular pela varicocele envolve o aumento da temperatura escrotal, estresse oxidativo e refluxo de metabólitos renais, que prejudicam a espermatogênese. O tratamento, quando indicado, é a correção cirúrgica (varicocelectomia), que visa ligar as veias dilatadas para melhorar os parâmetros seminais e as taxas de fertilidade.
A manobra de Valsalva aumenta a pressão intra-abdominal, o que dificulta o retorno venoso do plexo pampiniforme. Isso causa um ingurgitamento das veias varicosas, tornando-as mais facilmente palpáveis, especialmente as de Grau I (subclínicas ao repouso).
As indicações incluem infertilidade masculina com alterações no espermograma, dor escrotal significativa, atrofia testicular em adolescentes ou varicocele de alto grau (III). A decisão deve ser individualizada e discutida com o paciente.
A veia testicular esquerda drena em ângulo reto na veia renal esquerda, que tem pressão mais alta. Já a veia testicular direita drena obliquamente na veia cava inferior, de menor pressão. Essa diferença anatômica favorece o refluxo e a dilatação venosa à esquerda.
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