MedEvo Simulado — Prova 2026
Primípara de 28 anos, sem comorbidades prévias, evoluiu para parto vaginal assistido por vácuo-extrator devido a um período expulsivo prolongado. O recém-nascido nasceu com 3.980g e Apgar 9/10. Durante a revisão sistemática do canal de parto e do períneo, o obstetra identifica uma solução de continuidade que se estende da fúrcula vaginal em direção ao ânus. Ao realizar o exame digital retal cuidadoso, observa-se que a lesão envolve a pele perineal, os músculos do corpo perineal e uma ruptura parcial das fibras do músculo esfíncter externo do ânus, estimada em aproximadamente 30% da sua espessura total. O músculo esfíncter interno do ânus e a mucosa retal permanecem íntegros ao toque e à inspeção. Com base na classificação de Sultan, amplamente adotada pela Organização Mundial da Saúde, a classificação correta desta laceração é:
Laceração 3a = < 50% do esfíncter anal externo (EAE) acometido; 3b = > 50% do EAE; 3c = EAE + esfíncter interno.
A classificação de Sultan padroniza as lesões perineais. O grau 3 envolve o complexo esfincteriano anal, sendo o subtipo 3a definido pelo acometimento de menos de 50% da espessura do esfíncter externo.
As lesões obstétricas do esfíncter anal (OASIS) são complicações significativas do parto vaginal, associadas a riscos de incontinência fecal e urinária. A classificação de Sultan é o padrão-ouro internacional, permitindo uma comunicação precisa entre profissionais e orientando a técnica de reparo (técnica de 'end-to-end' ou 'overlap'). O diagnóstico exige exame físico minucioso, incluindo toque retal sistemático após o parto, especialmente em partos instrumentados ou com período expulsivo prolongado. O reconhecimento imediato e o reparo por profissional experiente em ambiente cirúrgico adequado reduzem drasticamente as sequelas a longo prazo para a saúde pélvica da mulher.
A laceração de terceiro grau envolve o complexo esfincteriano anal (esfíncter externo e/ou interno), mas mantém a mucosa retal íntegra. Já a laceração de quarto grau estende-se através do complexo esfincteriano e atinge a mucosa retal, expondo o lúmen anorretal. A identificação correta é crucial para o reparo cirúrgico adequado e prevenção de incontinência fecal.
O terceiro grau é dividido em: 3a (menos de 50% da espessura do esfíncter anal externo - EAE), 3b (mais de 50% da espessura do EAE) e 3c (envolvimento tanto do EAE quanto do esfíncter anal interno - EAI). Essa distinção é fundamental para o prognóstico funcional da paciente.
A laceração de segundo grau envolve a pele perineal e os músculos do corpo perineal (como o transverso superficial do períneo e o bulboesponjoso), mas não atinge o complexo esfincteriano anal. É a lesão mais comum que requer sutura após o parto vaginal.
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