Lesão de Via Biliar: Classificação de Strasberg e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 39 anos. Portadora de colelitíase sintomática há 3 anos. Refere vários atendimentos em emergência com crises álgicas e 2 internamentos que evoluíram com icterícia. Durante a colecistectomia laparoscópica, identificou -se a síndrome de Mirizzi. Na tentativa de se obter uma visão crítica de segurança, houve lesão da borda direita do ducto hepático comum com menos de 50% da circunferência. Essa lesão estava a menos de 2cm da confluência dos hepáticos e, de acordo com Strasberg, ela pode ser classificada como

Alternativas

  1. A) D
  2. B) C
  3. C) El
  4. D) E2
  5. E) E3

Pérola Clínica

Lesão de ducto hepático comum <50% circunferência e <2cm da confluência = Strasberg D.

Resumo-Chave

A classificação de Strasberg é crucial para guiar o manejo das lesões de via biliar, que são complicações graves da colecistectomia. A localização e extensão da lesão, especialmente em relação à confluência dos ductos hepáticos, determinam o tipo e a complexidade da reconstrução cirúrgica.

Contexto Educacional

A classificação de Strasberg para lesões de via biliar é uma ferramenta fundamental na cirurgia hepatobiliar, especialmente para residentes e cirurgiões gerais. Essas lesões são as complicações mais temidas da colecistectomia, com incidência variando de 0,3% a 0,7% em colecistectomias laparoscópicas. A identificação precoce e a classificação correta são cruciais para determinar a melhor abordagem terapêutica e impactam diretamente o prognóstico do paciente. A fisiopatologia das lesões biliares iatrogênicas geralmente envolve a dissecção inadequada do triângulo de Calot, falha em obter a "visão crítica de segurança" ou variações anatômicas não reconhecidas. A Síndrome de Mirizzi, como no caso, é um fator de risco conhecido, pois a inflamação e a fibrose local distorcem a anatomia. A classificação de Strasberg detalha a extensão e localização da lesão, sendo o tipo D uma lesão lateral do ducto hepático comum, geralmente menor que 50% da circunferência, e que não envolve a confluência dos ductos hepáticos. O tratamento das lesões biliares varia desde drenagem simples para fístulas (Strasberg A, B) até reconstruções complexas como a hepaticojejunostomia em Y de Roux para lesões maiores (Strasberg E). O prognóstico a longo prazo depende da extensão da lesão, do tempo de diagnóstico e da experiência do cirurgião no reparo. Um reparo primário bem-sucedido por um cirurgião experiente oferece os melhores resultados, enquanto atrasos no diagnóstico ou reparos inadequados podem levar a estenoses biliares, colangite recorrente e cirrose biliar secundária.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de lesões biliares na classificação de Strasberg?

A classificação de Strasberg categoriza as lesões biliares de A a E, sendo A e B lesões menores, C uma lesão ductal com fístula, e D e E lesões maiores do ducto hepático comum ou confluência, com E subdividida de E1 a E5 conforme a proximidade da confluência.

Como a Síndrome de Mirizzi se relaciona com lesões biliares?

A Síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase onde um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula comprime ou fistuliza para o ducto hepático comum, aumentando o risco de lesão iatrogênica durante a colecistectomia.

Qual a conduta inicial em caso de lesão de via biliar intraoperatória?

A conduta inicial depende da extensão da lesão e da experiência do cirurgião. Lesões menores (Strasberg A, B, C) podem ser reparadas primariamente ou com drenagem. Lesões maiores (Strasberg D, E) geralmente requerem reconstrução complexa, como hepaticojejunostomia, e muitas vezes necessitam de um cirurgião hepatobiliar experiente.

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