Classificação de Schilling e Depressão Ocupacional

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021

Enunciado

A respeito do Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) dos hospitais, julgue o item.Suponha-se que uma enfermeira que trabalha na UTI venha apresentando quadro depressivo recorrente, relacionado ao trabalho. Sendo assim, é correto afirmar que ela deverá ser classificada, segundo a classificação de Schilling, como um caso de doença profissional, tendo o trabalho como causa necessária.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Depressão no trabalho = Schilling II ou III; Schilling I exige nexo causal necessário (ex: silicose).

Resumo-Chave

A depressão é uma patologia multicausal. Na classificação de Schilling, o trabalho atua como fator contributivo (II) ou desencadeante (III), mas não como causa exclusiva.

Contexto Educacional

A Classificação de Schilling é uma ferramenta fundamental na Medicina do Trabalho para estabelecer o nexo causal entre a patologia e a atividade laboral. Ela divide as doenças em três grupos: I (Trabalho como causa necessária), II (Trabalho como fator contributivo) e III (Trabalho como provocador de distúrbio latente ou agravador de doença estabelecida). No contexto hospitalar, especialmente em setores de alta complexidade como a UTI, os transtornos mentais e do comportamento (como depressão e Síndrome de Burnout) são frequentes. No entanto, tecnicamente, a depressão não pode ser considerada uma 'doença profissional' (Schilling I), pois sua etiologia é complexa e envolve múltiplos fatores externos ao trabalho. Portanto, a afirmação de que uma enfermeira com depressão deve ser classificada como Schilling I está incorreta, devendo o médico do trabalho investigar se o ambiente laboral atuou como fator contributivo (II) ou apenas como agravante (III).

Perguntas Frequentes

O que define a Categoria I de Schilling?

A Categoria I de Schilling engloba doenças em que o trabalho é causa necessária, ou seja, sem a exposição ocupacional específica, a doença não existiria. Os exemplos clássicos são as pneumoconioses (como a silicose) e as intoxicações profissionais por metais pesados (como o saturnismo pelo chumbo). A depressão, por ser uma condição multicausal envolvendo fatores genéticos, biológicos e sociais, nunca se enquadra nesta categoria.

Como a depressão é classificada na Medicina do Trabalho?

A depressão relacionada ao trabalho é geralmente classificada como Schilling II ou Schilling III. No Schilling II, o trabalho é um fator contributivo, mas não necessário (ex: estresse crônico em UTI que favorece o surgimento do quadro em alguém predisposto). No Schilling III, o trabalho atua como um desencadeante ou agravante de uma doença já estabelecida ou latente. O nexo causal é estabelecido pela análise das condições psicossociais do ambiente laboral.

Qual a importância do SESMT no diagnóstico de doenças mentais?

O Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) deve atuar na vigilância epidemiológica e na análise ergonômica do trabalho. No caso de enfermeiros de UTI, o SESMT deve identificar fatores de risco como alta carga emocional, turnos excessivos e falta de suporte. O diagnóstico correto do nexo causal (Schilling II/III) é fundamental para a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e para a implementação de medidas de reabilitação e modificação do ambiente de trabalho.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo