CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Após acidente ocular com substância química de natureza alcalina, qual parâmetro, dentre os abaixo, de acordo com a classificação de Ropper-Hall, é o mais utilizado na fase aguda, para determinar o prognóstico visual?
Isquemia límbica (branqueamento) = Pior prognóstico na queimadura química.
A extensão da isquemia límbica reflete a destruição das células-tronco epiteliais e o dano vascular, sendo o principal preditor de recuperação da superfície ocular.
As queimaduras químicas são emergências oftalmológicas verdadeiras. O manejo inicial é a irrigação copiosa imediata. Após a estabilização do pH, a avaliação da isquemia límbica (observada como áreas brancas/avasculares na junção esclero-corneal) permite classificar a gravidade. A classificação de Roper-Hall é a mais tradicional, embora a classificação de Dua (que foca em análogos de relógio de isquemia límbica e envolvimento conjuntival) também seja amplamente utilizada para definir o prognóstico de sobrevivência da superfície ocular.
A classificação de Roper-Hall divide as lesões em quatro graus baseando-se na transparência da córnea e na extensão da isquemia límbica. O Grau I não apresenta isquemia (prognóstico excelente), enquanto o Grau IV apresenta isquemia superior a 50% do limbo (prognóstico muito reservado).
Substâncias alcalinas causam necrose por liquefação, saponificando gorduras das membranas celulares e penetrando rapidamente nos tecidos profundos do olho. Ácidos causam necrose por coagulação, que cria uma barreira de proteínas precipitadas que limita a penetração.
O limbo abriga as células-tronco responsáveis pela renovação do epitélio corneano. A isquemia indica morte dessas células e dos vasos sanguíneos locais. Sem células-tronco, a córnea não cicatriza corretamente, levando à conjuntivalização, opacidade crônica e perda visual severa.
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