FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
De acordo com o Manual de Acolhimento e classificação de risco do Ministério da Saúde Rede Cegonha 2014, classifique as seguintes situações:1. Primigesta, IG 37 semanas, com queixa de dor persistente na perna que não melhora, acompanhada de edema e rigidez da musculatura da panturrilha.2. Gestante de 9 semanas, com queixa de náuseas e vômitos, evidenciando desidratação e com os seguintes sinais: PA 90 x 50 mmHg, p 120 bpm, preenchimento capilar lento.3. 3G 2PC IG 30 semanas, com queixa de falta de ar e portadora de anemia falciforme.4. Gestante com perda de sangue: 1 absorvente normal cheio durante o dia inteiro.
Classificação de risco gestacional: Vermelho (emergência), Laranja (muito urgente), Amarelo (urgente), Verde (pouco urgente), Azul (não urgente).
A classificação de risco na gestação é fundamental para priorizar o atendimento. Situações como suspeita de trombose venosa profunda (TVP) ou desidratação grave/choque hipovolêmico (hiperêmese) são Laranja/Amarela, enquanto sangramentos leves ou condições crônicas descompensadas (anemia falciforme com dispneia) podem ser Laranja, dependendo da estabilidade.
A classificação de risco na Rede Cegonha do Ministério da Saúde é uma ferramenta essencial para organizar o fluxo de atendimento em serviços de urgência e emergência obstétrica, garantindo que gestantes e puérperas recebam a atenção adequada no tempo certo. Baseia-se na gravidade dos sinais e sintomas, e não apenas na ordem de chegada, priorizando as condições que representam maior risco de morbimortalidade materna e fetal. As cores (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul) indicam o tempo máximo de espera para o atendimento. A fisiopatologia por trás das classificações reflete a urgência das condições. Por exemplo, a dor na perna com edema e rigidez (situação 1) sugere Trombose Venosa Profunda (TVP), uma condição grave na gestação devido ao estado de hipercoagulabilidade, justificando a classificação Amarela. A desidratação grave com hipotensão e taquicardia (situação 2), como na hiperêmese gravídica, indica choque hipovolêmico incipiente, uma emergência que demanda intervenção rápida, classificando-a como Laranja. Gestantes com doenças crônicas, como anemia falciforme (situação 3), têm maior risco de descompensação e complicações. A falta de ar pode indicar uma crise vaso-oclusiva pulmonar ou anemia grave, exigindo atendimento Laranja. Já um sangramento vaginal leve (situação 4), como um absorvente cheio em um dia, pode ser classificado como Verde, indicando uma condição que necessita de avaliação, mas sem risco iminente. A correta aplicação da classificação de risco é vital para otimizar recursos e melhorar desfechos materno-infantis.
A classificação Laranja é atribuída a gestantes com condições que exigem atendimento rápido, mas não imediato, como pré-eclâmpsia grave, sangramento vaginal moderado, dor abdominal intensa, ou sinais de desidratação grave com instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e taquicardia.
Essa situação deve ser classificada como 'Amarela' (urgente), pois levanta forte suspeita de Trombose Venosa Profunda (TVP), uma condição grave que requer investigação e tratamento rápidos para prevenir embolia pulmonar, mas que não representa um risco de morte iminente como as situações 'Laranja' ou 'Vermelha'.
Gestantes com doenças crônicas como anemia falciforme, que apresentam sintomas agudos como falta de ar, devem ser classificadas como 'Laranja' (muito urgente). A doença de base as coloca em maior risco de complicações, e a dispneia pode indicar uma crise vaso-oclusiva pulmonar ou anemia grave descompensada, exigindo avaliação e intervenção rápidas.
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