SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Homem, 52 anos de idade, diabético há 5 anos, em uso irregular de Metformina, vem à Unidade Básica de Saúde após ferimento em pé direito há 7 dias, por uso de sandália de couro. Fez curativos, mas vem apresentando dor e vermelhidão em torno do ferimento e na perna. Queixa-se de parestesias de MMII há 3 anos. Ao exame, paciente com IMC de 32, PA: 140x80mmhg. Afebril. Em MMII nota-se deformidade dos hálux bilateralmente, com calosidades em regiões plantares. Há úlcera em bordo medial de pé direito, de 4cm; recoberta por crosta enegrecida, cuja expressão drena exsudato purulento. Não há exposição tendínea nem óssea. Nota-se edema de perna direita até nível de panturrilha, com dor e calor local. Pulsos pediosos e tibiais posteriores não palpáveis no pé direito.Determine os três fatores de risco presentes no caso que compõem a classificação de risco, conforme o Manual do Ministério da Saúde.
Pé diabético: Neuropatia + Vasculopatia + Deformidade/Úlcera prévia = Alto risco de amputação.
A classificação de risco do pé diabético baseia-se na tríade: perda da sensibilidade protetora (neuropatia), insuficiência arterial (vasculopatia) e presença de deformidades ou histórico de úlceras.
O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do Diabetes Mellitus, sendo a principal causa de internações e amputações não traumáticas. A fisiopatologia envolve a neuropatia (sensitiva, motora e autonômica) que leva à perda da dor e deformidades (como o hálux valgo e dedos em garra), criando pontos de pressão anormal. A vasculopatia (DAOP) compromete a cicatrização e a resposta imune local. No caso clínico apresentado, os fatores de risco claros são: 1) Neuropatia (parestesias e deformidades/calosidades), 2) Doença Arterial (pulsos pediosos e tibiais não palpáveis) e 3) Presença de úlcera ativa/infecção. O reconhecimento precoce desses fatores permite a estratificação de risco e a implementação de medidas preventivas que reduzem drasticamente as taxas de amputação.
De acordo com o Ministério da Saúde e o Consenso Internacional sobre Pé Diabético, os três pilares são: 1) Neuropatia Periférica (perda da sensibilidade protetora), 2) Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP - evidenciada por pulsos ausentes ou reduzidos) e 3) Deformidades estruturais do pé ou histórico de úlceras/amputações prévias.
A avaliação padrão-ouro na atenção primária é o teste de sensibilidade com o monofilamento de Semmes-Weinstein (10g) em pontos específicos da região plantar. Além disso, a avaliação da sensibilidade vibratória com diapasão de 128Hz e a pesquisa de reflexos aquileus são componentes essenciais para diagnosticar a perda da sensibilidade protetora.
Pacientes classificados como alto risco (presença de neuropatia, vasculopatia ou deformidades) devem receber educação intensiva sobre autocuidado, inspeção diária dos pés, calçados terapêuticos adequados e acompanhamento frequente (a cada 1 a 3 meses) por equipe multidisciplinar para prevenir o surgimento de úlceras e amputações.
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