FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Você é um médico de família e comunidade em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e o seu município enfrenta uma das piores epidemias de dengue dos últimos 20 anos. A unidade está com fluxo intenso de atendimentos. Considerando as fases clínicas da doença e a classificação dos grupos de risco, assinale a alternativa que elucida estratégia de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde e que otimize recursos físicos e humanos diante de tal contexto epidemiológico. Leve em consideração apenas o manejo dos grupos A e B uma vez que grupos C e D serão referenciados para setor hospitalar:
Grupo B (risco/comorbidade) → Hemograma + reavaliação diária. Grupo A → Reavaliação 48h após febre.
A diferenciação entre grupos A e B foca na presença de condições especiais ou riscos sociais, ditando a frequência de monitoramento laboratorial e clínico conforme o protocolo do MS.
O manejo da dengue no Brasil é regido pelo protocolo de classificação de risco do Ministério da Saúde, que divide os pacientes em grupos A, B, C e D. Esta estratificação é vital para otimizar recursos durante epidemias. Enquanto os grupos C e D apresentam sinais de alarme ou choque e requerem internação, os grupos A e B são manejados ambulatorialmente na Atenção Primária. A estratégia para o Grupo B foca na detecção precoce de hemoconcentração ou plaquetopenia severa, por isso o hemograma é obrigatório. No Grupo A, o foco é a orientação sobre sinais de alarme e hidratação vigorosa. Em contextos epidêmicos, a criação de 'salas de hidratação' nas UBS permite o início imediato do tratamento, reduzindo a sobrecarga hospitalar e a mortalidade por choque hipovolêmico.
A principal diferença reside na necessidade de exames laboratoriais e na frequência de reavaliação. O Grupo A (pacientes sem sinais de alarme, sem comorbidades e sem risco social) não exige hemograma obrigatório e a reavaliação clínica ocorre no dia da remissão da febre ou no 5º dia de doença. Já o Grupo B (pacientes com comorbidades, gestantes, lactentes ou risco social) exige hemograma obrigatório e reavaliação clínica diária até 48h após a queda da febre.
O Grupo B inclui pacientes sem sinais de alarme, mas que apresentam condições clínicas especiais (gestantes, idosos > 65 anos, lactentes < 2 anos, portadores de doenças crônicas como DM, HAS, DPOC, doenças hematológicas) ou situações sociais de vulnerabilidade (moradores de rua, dificuldade de acesso à UBS). Esses pacientes têm maior risco de evolução desfavorável e, por isso, o protocolo exige monitoramento laboratorial (hemograma) inicial e acompanhamento diário.
A hidratação deve ser preferencialmente oral e iniciada imediatamente. O volume recomendado pelo Ministério da Saúde é de 60 ml/kg/dia, sendo 1/3 com solução de sais de reidratação oral (SRO) e 2/3 com líquidos caseiros (água, sucos, chás). A hidratação endovenosa é reservada para pacientes que não toleram a via oral ou que apresentam sinais de alarme (Grupos C e D). A manutenção da volemia é a intervenção mais eficaz para prevenir o choque.
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