Manejo da Dengue Grupo B: Conduta e Comorbidades

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina, 54 anos, portadora de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Melittus tipo 2 (DM2). Natural e procedente de Curitiba, sem história de viagem nos últimos meses. Procura atendimento na Unidade de Pronto Atendimento devido a quadro de febre (39,1°C), mialgia, cefaleia e dor retro-orbital, com início há 3 dias. Foi solicitado hemograma, que mostrou Hemoglobina= 15 g/dl (VR: 13 a 17 g/dL), hematócrito= 45% (VR: 38 a 50%), leucócitos= 2000/ mm3 (VR: 4.500 a 11.000/mm3), linfócitos= 700/ mm3 (VR: 1000 a 4000/mm3), bastões= 1% (VR: 0 a 4%), plaquetas = 140.000/mm3 (VR: 150.000 a 450.000/mm3). De acordo com a principal hipótese diagnóstica, qual a conduta adequada no momento:

Alternativas

  1. A) Manter em leito de observação até resultado de novo hematócrito. Se este vier elevado, mantém na observação e inicia hidratação oral.
  2. B) Manter em leito de observação até resultado de novo hematócrito. Se este estiver elevado, encaminhar para o internamento e inicia hidratação endovenosa.
  3. C) Liberar para casa com hidratação oral. Orientar retorno em caso de dor abdominal, vômitos, hipotensão postural, sangramento em mucosa.
  4. D) Liberar para casa, recomendar medicação antitérmica. Orienta que está de alta, podendo voltar às suas atividades, sem necessidade de retorno.

Pérola Clínica

Dengue + Comorbidades = Grupo B → Exige observação e hematócrito; se estável e Hct normal, alta com sinais de alarme.

Resumo-Chave

Pacientes do Grupo B possuem condições clínicas especiais ou comorbidades. Devem ser hidratados e monitorados com hematócrito; a ausência de sinais de alarme e Hct normal permite seguimento ambulatorial.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose dinâmica onde a classificação de risco é a ferramenta mais importante para reduzir a mortalidade. O Grupo B representa um desafio clínico pois, embora o paciente esteja estável, a presença de comorbidades como HAS e DM2 aumenta a fragilidade vascular e o risco de complicações. O hematócrito funciona como um marcador indireto de hemoconcentração e extravasamento plasmático.\n\nNeste caso clínico, a paciente apresenta leucopenia e linfopenia típicas, com hematócrito dentro da normalidade para o sexo feminino. Como não há sinais de alarme descritos, a conduta correta após a avaliação laboratorial é a alta com orientações verbais e por escrito sobre os sinais de alarme, garantindo que a paciente saiba exatamente quando retornar ao serviço de emergência.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes são classificados como Dengue Grupo B?

O Grupo B inclui pacientes com dengue que não apresentam sinais de alarme, mas possuem condições clínicas especiais, comorbidades ou riscos sociais. Entre as condições estão gestantes, idosos (>65 anos), lactentes (<2 anos), e portadores de doenças crônicas como Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, DPOC, doenças hematológicas ou renais. Esses pacientes requerem obrigatoriamente a realização de um hemograma completo para avaliação do hematócrito e contagem de plaquetas, além de permanecerem em observação até o resultado dos exames. Se o hematócrito estiver normal e não houver sinais de alarme, o manejo pode ser ambulatorial com orientações rigorosas sobre sinais de gravidade.

Como deve ser feita a hidratação no Grupo B?

A hidratação deve ser iniciada imediatamente enquanto o paciente aguarda os resultados laboratoriais. Para adultos, a recomendação inicial é de 60 ml/kg/dia, sendo um terço desse volume composto por solução salina (como Soro Fisiológico ou Ringer Lactato) e os dois terços restantes por líquidos por via oral (água, sucos, soro caseiro). A via preferencial é a oral, a menos que o paciente apresente intolerância gástrica. O monitoramento clínico é essencial para detectar precocemente a evolução para o Grupo C (presença de sinais de alarme) ou Grupo D (choque), o que exigiria hidratação venosa imediata e vigorosa.

Quais são os sinais de alarme que indicam progressão para o Grupo C?

Os sinais de alarme geralmente surgem na fase de defervescência da febre e indicam extravasamento plasmático. Eles incluem: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural ou lipotimia, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A identificação de qualquer um desses sinais muda a classificação do paciente para o Grupo C, exigindo internação hospitalar e reposição volêmica intravenosa imediata para prevenir o choque hipovolêmico.

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