SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
No que diz respeito ao estadiamento e ao tratamento dos casos suspeitos de dengue, julgue o item subsequente. Pacientes do sexo masculino, em idade adulta, com hematócrito de 50%, plaquetas de 100.000/mm³ e leucócitos de 900/mm³ devem ser imediatamente encaminhados para tratamento hospitalar em unidade de terapia intensiva.
Dengue: Internação em UTI exige sinais de choque ou disfunção orgânica grave, não apenas exames alterados.
O estadiamento da dengue baseia-se em sinais clínicos e laboratoriais; alterações isoladas de hematócrito e plaquetas sem instabilidade hemodinâmica não indicam UTI imediata.
O manejo da dengue é rigorosamente guiado pela classificação de grupos (A, B, C e D) estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela OMS. Pacientes com alterações laboratoriais como leucopenia e plaquetopenia leve (100.000/mm³), sem sinais de alarme ou instabilidade, são geralmente classificados no Grupo B. Estes podem ser manejados ambulatorialmente com reidratação oral agressiva e monitoramento laboratorial diário até 48 horas após a febre cessar. A decisão de encaminhar para UTI depende da presença de instabilidade hemodinâmica refratária à ressuscitação volêmica inicial ou evidência de dano grave a órgãos-alvo. O uso indiscriminado de leitos de terapia intensiva para casos que não preenchem critérios de choque compromete a rede assistencial. Portanto, o reconhecimento preciso dos sinais de alarme (Grupo C) versus sinais de choque (Grupo D) é a competência mais crítica para o médico na triagem da dengue.
Os sinais de alarme indicam a possibilidade de evolução para formas graves da doença e geralmente surgem na fase de defervescência (queda da febre). Eles incluem: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural ou pericárdico), hipotensão postural ou lipotimia, hepatomegalia dolorosa (> 2cm), sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade e um aumento repentino do hematócrito acompanhado de queda rápida na contagem de plaquetas. A presença de qualquer um desses sinais classifica o paciente no Grupo C, exigindo internação hospitalar para hidratação venosa.
A internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é reservada exclusivamente para pacientes classificados no Grupo D (Dengue Grave). Os critérios incluem: sinais de choque (pulso fino e rápido, extremidades frias, enchimento capilar lento > 2s, pressão arterial convergente), desconforto respiratório grave decorrente de grandes derrames cavitários, sangramento massivo (como hemorragia digestiva alta) ou disfunção orgânica grave. Exemplos de disfunção grave são a encefalite, miocardite ou hepatite grave com níveis de transaminases (AST/ALT) acima de 1000 U/L.
No homem adulto, um hematócrito de 50% está no limite superior da normalidade ou levemente aumentado, mas isoladamente não define gravidade ou necessidade de UTI. Na dengue, o aumento do hematócrito é um marcador de extravasamento plasmático (hemoconcentração). Ele deve ser avaliado comparativamente ao valor basal do paciente ou em conjunto com a clínica. Se houver um aumento de 20% sobre o basal ou sinais de alarme, o paciente requer atenção hospitalar, mas a UTI só é indicada se houver evolução para choque ou falência orgânica.
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