UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Paciente de 68 anos, 70kg, hipertenso crônico em tratamento clínico com losartana, diabético há 15 anos em tratamento dietético e metformina, portador de fibrilação atrial crônica em uso de rivaroxabana, agendado para cirurgia ortopédica de osteossíntese de fratura de fêmur direito. Encontra-se lúcido, colaborativo, eupneico, parâmetros de PA 135/95 mmHg, FC 81; Exames laboratoriais: hematócrito 34%, INR 1,1, creatinina 1,6, HB glicada 7,2%. Sobre este caso clínico, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) A classificação do estado físico segundo a American Society of Anesthesiologists, deste paciente é II. ( ) O clearence de creatinina do paciente é 43,75 mL/min. ( ) Deve-se abreviar o jejum do paciente no pré-operatório com dieta líquida enriquecida com carboidrato e aminoácidos. Assinale a sequência correta.
Avaliação pré-operatória: ASA III para múltiplas comorbidades controladas; Cockcroft-Gault para CrCl; jejum para líquidos claros (2h), não enriquecidos complexos.
A avaliação pré-operatória de pacientes com múltiplas comorbidades como HAS, DM e FA exige classificação de risco ASA (provavelmente III neste caso), cálculo do clearance de creatinina para ajuste de doses e manejo adequado de anticoagulantes. A abreviação do jejum com líquidos enriquecidos é uma prática específica e não universal, devendo-se priorizar a segurança do paciente, especialmente em idosos e diabéticos.
A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente cirúrgico, visando identificar e otimizar condições clínicas que possam aumentar o risco de complicações. A classificação do estado físico pela American Society of Anesthesiologists (ASA) é amplamente utilizada para estratificar o risco anestésico-cirúrgico, sendo crucial para o planejamento da conduta. Pacientes com múltiplas comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e fibrilação atrial, mesmo que controladas, geralmente se enquadram na classe ASA III, indicando doença sistêmica grave que limita a atividade, mas não é incapacitante. O cálculo do clearance de creatinina, frequentemente pela fórmula de Cockcroft-Gault, é essencial para avaliar a função renal e ajustar a dose de medicamentos, incluindo os anestésicos. O manejo de medicamentos como anticoagulantes (ex: rivaroxabana) no pré-operatório requer protocolos específicos para minimizar o risco de sangramento ou trombose. As recomendações de jejum visam prevenir a broncoaspiração; enquanto líquidos claros podem ser permitidos até 2 horas antes, dietas líquidas enriquecidas são para casos selecionados e não devem ser generalizadas, especialmente em pacientes com diabetes ou alto risco de aspiração.
A escala ASA (American Society of Anesthesiologists) classifica o estado físico do paciente de I a VI. ASA I: paciente saudável; ASA II: doença sistêmica leve; ASA III: doença sistêmica grave, mas controlada; ASA IV: doença sistêmica grave e incapacitante, ameaça constante à vida; ASA V: paciente moribundo; ASA VI: paciente com morte cerebral.
A fórmula de Cockcroft-Gault para clearance de creatinina é: ((140 - idade em anos) x Peso em kg) / (72 x Creatinina sérica em mg/dL). Para mulheres, o resultado é multiplicado por 0.85. É crucial para ajuste de doses de medicamentos.
As diretrizes atuais recomendam jejum de 2 horas para líquidos claros (água, chá, sucos sem polpa) e 6-8 horas para alimentos sólidos. A abreviação com líquidos enriquecidos é uma prática mais avançada, para pacientes selecionados, e não se aplica a todos, especialmente em casos de risco de broncoaspiração ou diabetes descompensado.
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