Conduta BI-RADS 3: Seguimento e Rastreamento Mamográfico

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Paciente, 55 anos de idade, sem comorbidades, foi submetida a histerectomia total por leiomiomatose uterina há 11 anos. Vem em consulta médica pois há 8 meses vem queixando de fogachos e insônia, além de ressecamento vaginal que antes não apresentava. Trouxe mamografia recente: BIRADS 3. A mamografia do ano anterior apresentava a mesma imagem sem modificação de características ou volume. Também trouxe resultado de densitometria óssea realizada recentemente evidenciando T score: -0,8 DP (desvio padrão) em fêmur proximal e T score: -0,4 DP em coluna lombar. Ao exame físico sem alterações. PA: 115x75mmHg e FC: 72bpm. A paciente deseja tratamento para os sintomas.Em relação ao resultado da nova mamografia da paciente, indique a conduta a ser adotada.

Alternativas

  1. A) Nova mamografia em um ano.
  2. B) Complementação com ultrassonografia mamária.
  3. C) Nova mamografia em 6 meses.
  4. D) Biópsia com agulha fina da lesão encontrada.

Pérola Clínica

BI-RADS 3 → Controle radiológico em 6 meses (estabilidade = segurança).

Resumo-Chave

Lesões BI-RADS 3 têm risco de malignidade < 2%. O acompanhamento semestral visa detectar alterações precoces sem submeter a paciente a biópsias desnecessárias.

Contexto Educacional

O sistema BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System) padroniza a descrição de exames de imagem da mama e orienta a conduta clínica. A categoria 3 representa achados com alta probabilidade de benignidade, onde o risco de câncer é mínimo. O protocolo padrão de seguimento envolve a repetição do exame em 6 meses (unilateral ou bilateral, dependendo da lesão), seguido por exames aos 12 e 24 meses. A estabilidade é o critério-chave para a segurança dessa conduta. No caso da paciente, embora ela apresente sintomas de climatério e necessite de avaliação para terapia de reposição hormonal, o achado BIRADS 3 estável em relação ao ano anterior reforça a conduta conservadora de repetição semestral. A densitometria óssea normal (T-score > -1,0) afasta osteopenia/osteoporose, focando a atenção clínica no manejo dos sintomas vasomotores e na vigilância mamográfica adequada.

Perguntas Frequentes

O que define uma lesão BI-RADS 3?

A categoria BI-RADS 3 é atribuída a achados mamográficos que apresentam uma probabilidade de malignidade muito baixa, especificamente menor ou igual a 2%. Exemplos clássicos incluem nódulos circunscritos não calcificados, assimetrias focais que se tornam menos densas à compressão e grupos de microcalcificações puntiformes e regulares. A estratégia de manejo recomendada não é a biópsia imediata, mas sim o acompanhamento radiológico de curto prazo. O objetivo é monitorar a estabilidade da lesão; se ela permanecer inalterada por um período de 2 a 3 anos, pode ser reclassificada como BI-RADS 2 (benigna). Caso ocorra qualquer aumento de tamanho ou mudança na morfologia (suspeita), a categoria é elevada para BI-RADS 4, indicando a necessidade de investigação histopatológica.

Quando uma lesão BI-RADS 3 pode ser reclassificada como BI-RADS 2?

Uma lesão inicialmente classificada como BI-RADS 3 pode ser rebaixada para BI-RADS 2 (achado benigno) quando demonstra estabilidade morfológica e dimensional completa durante um período de acompanhamento de 2 a 3 anos. O protocolo geralmente envolve uma mamografia em 6 meses, seguida por outra em 12 meses e, finalmente, uma aos 24 meses (alguns protocolos estendem até 36 meses). Se após esse período de vigilância ativa não houver qualquer alteração suspeita, a probabilidade de malignidade torna-se desprezível, permitindo que a paciente retorne ao rastreamento anual de rotina para sua faixa etária, sem a necessidade de monitoramento semestral específico para aquela lesão.

BI-RADS 3 em paciente com alto risco familiar muda a conduta?

Sim, o contexto clínico da paciente pode influenciar a decisão. Embora a recomendação padrão para BI-RADS 3 seja o seguimento semestral, em pacientes com mutações genéticas conhecidas (como BRCA1 ou BRCA2), histórico familiar muito forte de câncer de mama em parentes de primeiro grau ou ansiedade extrema da paciente, a biópsia pode ser considerada precocemente. O sistema BI-RADS é uma ferramenta de auxílio à decisão, mas não substitui o julgamento clínico. No entanto, para a maioria da população de risco habitual, o seguimento semestral provou ser seguro e eficaz na detecção de cânceres em estágio inicial, evitando procedimentos invasivos desnecessários em lesões que são, em sua vasta maioria, benignas.

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