Queimaduras em Crianças: Classificação e Manejo Essencial

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à queimadura na criança, é errado afirmar que:

Alternativas

  1. A) Queimaduras por escaldadura ocorrem com mais frequência em crianças abaixo de 4 anos de idade.
  2. B) Queimaduras de primeiro grau envolvem apenas a epiderme e são caracterizadas por inchaço, eritema e dor.
  3. C) Queimaduras de terceiro grau envolvem destruição total da epiderme e derme, e curam-se em 7 a 14 dias, desde que não haja infecção.
  4. D) Criança com queimadura que afeta mais de 15% da área de superfície corporal total tem que ser hospitalizada.
  5. E) Crianças que estiveram em incêndio em ambiente fechado devem ficar internadas em observação ao menos por 24 horas, por causa dos efeitos da anóxia no sistema nervoso central.

Pérola Clínica

Queimadura 3º grau: destruição total epiderme/derme, não cicatriza espontaneamente, requer enxertia.

Resumo-Chave

Queimaduras de terceiro grau são as mais graves, com destruição completa da pele e anexos. Diferente das de primeiro e segundo grau, elas não cicatrizam por reepitelização espontânea e necessitam de intervenção cirúrgica, como enxertia de pele, para fechamento da ferida.

Contexto Educacional

As queimaduras em crianças representam uma causa significativa de morbidade e mortalidade pediátrica, exigindo uma avaliação e manejo rápidos e precisos. A classificação das queimaduras é fundamental para determinar a profundidade da lesão e, consequentemente, o prognóstico e a conduta terapêutica. Queimaduras de primeiro grau afetam apenas a epiderme, enquanto as de segundo grau envolvem a epiderme e parte da derme. As queimaduras de terceiro grau são as mais graves, caracterizadas pela destruição total da epiderme e derme, podendo estender-se a tecidos subcutâneos, músculos e ossos. É crucial entender que, ao contrário das queimaduras de primeiro e segundo grau superficiais, as queimaduras de terceiro grau não possuem capacidade de reepitelização espontânea. A cicatrização dessas lesões não ocorre em poucos dias; elas requerem intervenção cirúrgica, como a enxertia de pele, para o fechamento da ferida, prevenção de infecções e minimização de sequelas funcionais e estéticas. A avaliação da área de superfície corporal queimada (SCQ) é vital para determinar a necessidade de internação e o volume de reposição volêmica, sendo que crianças com mais de 10-15% de SCQ devem ser hospitalizadas. Além da lesão cutânea, a inalação de fumaça em ambientes fechados é uma complicação grave que exige observação hospitalar prolongada devido ao risco de lesão pulmonar e efeitos sistêmicos. Residentes devem dominar a avaliação inicial, a classificação e os critérios de internação para garantir o melhor desfecho para crianças vítimas de queimaduras, reconhecendo a importância da intervenção precoce e especializada.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma queimadura de terceiro grau?

Queimaduras de terceiro grau envolvem a destruição completa da epiderme e derme, podendo atingir tecidos mais profundos. A pele apresenta-se esbranquiçada, carbonizada ou seca, com perda da sensibilidade dolorosa devido à destruição das terminações nervosas.

Por que queimaduras de terceiro grau não cicatrizam espontaneamente?

Elas não cicatrizam espontaneamente porque as camadas da pele responsáveis pela reepitelização (epiderme e anexos dérmicos) são completamente destruídas. A cicatrização requer enxertia de pele para cobrir a área lesada e prevenir infecções e contraturas.

Quais são os critérios para internação de crianças com queimaduras?

Crianças com queimaduras que afetam mais de 10-15% da área de superfície corporal total, queimaduras de terceiro grau, queimaduras em áreas críticas (face, mãos, pés, períneo), queimaduras elétricas, químicas ou por inalação, ou em casos de suspeita de abuso, devem ser hospitalizadas.

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