HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Com base na descrição das queimaduras e sua cicatrização, qual das seguintes afirmações é INCORRETA?
Queimaduras dérmicas profundas cicatrizam com cicatrizes significativas devido à destruição parcial dos apêndices dérmicos, necessitando frequentemente de enxertia.
Queimaduras dérmicas profundas (antiga 2º grau profundo) destroem grande parte dos folículos pilosos e glândulas sudoríparas, que são fontes de reepitelização. Por isso, elas tendem a cicatrizar com cicatrizes hipertróficas ou contraturas, e muitas vezes requerem enxertia de pele para um melhor resultado funcional e estético.
As queimaduras são lesões traumáticas da pele e de outros tecidos, causadas por calor, frio, eletricidade, radiação ou agentes químicos. A classificação da profundidade da queimadura é crucial para determinar o prognóstico e o plano de tratamento. Tradicionalmente, as queimaduras são classificadas em primeiro, segundo, terceiro e quarto graus, embora a terminologia mais moderna prefira "espessura parcial superficial", "espessura parcial profunda" e "espessura total". Queimaduras dérmicas superficiais (antigo 2º grau superficial) afetam a epiderme e parte da derme, preservando os apêndices epidérmicos. Caracterizam-se por dor intensa, vermelhidão e bolhas, cicatrizando espontaneamente em 2-3 semanas sem sequelas significativas, pois a reepitelização ocorre a partir das estruturas dérmicas retidas. Queimaduras de terceiro grau (espessura total) destroem todas as camadas da pele, incluindo os apêndices dérmicos, sendo indolores e com aspecto esbranquiçado ou carbonizado; elas não cicatrizam espontaneamente e requerem enxertia de pele. Queimaduras de quarto grau estendem-se além da pele, atingindo músculos, tendões e ossos, com prognóstico reservado e frequentemente necessitando de amputações. A afirmação incorreta refere-se às queimaduras dérmicas profundas (antigo 2º grau profundo). Estas lesões atingem a derme mais profundamente, destruindo grande parte dos folículos pilosos e glândulas sudoríparas, que são as fontes de reepitelização. Embora possam ter alguma capacidade de cicatrização espontânea, este processo é lento (mais de 3 semanas) e invariavelmente resulta em cicatrizes significativas, como cicatrizes hipertróficas, queloides e contraturas, que podem comprometer a função e a estética. Por isso, muitas vezes, a enxertia de pele é indicada para otimizar a cicatrização e minimizar as sequelas. A avaliação clínica da profundidade, embora desafiadora, é fundamental para o manejo adequado e as decisões terapêuticas.
Queimaduras dérmicas superficiais (2º grau superficial) são dolorosas, vermelhas, com bolhas e boa perfusão, cicatrizando em 2-3 semanas. As profundas (2º grau profundo) são menos dolorosas, esbranquiçadas ou avermelhadas pálidas, com bolhas rompidas e má perfusão, levando mais de 3 semanas para cicatrizar e com sequelas.
Queimaduras de terceiro grau são indolores, com aspecto esbranquiçado, acinzentado ou carbonizado, consistência coriácea e ausência de bolhas. Elas destroem todas as camadas da pele, incluindo os apêndices dérmicos, e não cicatrizam espontaneamente, necessitando de enxertia.
As queimaduras dérmicas profundas destroem a maioria dos folículos pilosos e glândulas sudoríparas, que são as principais fontes de células epiteliais para a reepitelização. A cicatrização ocorre principalmente a partir das bordas da ferida e por fibrose, resultando em cicatrizes hipertróficas, queloides ou contraturas.
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