UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021
Paciente, sexo masculino, 1 ano e 10 meses, deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Universitário com quadro de febre (38,5°C) e tosse produtiva há quatro dias, evoluindo com piora do estado geral, persistência da febre e esforço respiratório. Ao ser admitido, o paciente apresentava-se febril (38,7°C), FC=112 bpm, FR=42 irpm, estava em regular estado geral; normocorado, hidratado, vigil; sem agitação psicomotora. Linfonodos não palpáveis em qualquer cadeia. AR: tiragem subcostal, murmúrios vesiculares audíveis, com presença de estertores crepitantes em hemitórax direito. ACV: RCR, 2T, sem sopros. Sat. O2 94%. Abdome sem visceromegalias, indolor à palpação abdominal. Exame neurológico sem alterações. Segundo os “sinais de perigo” referidos pela OMS, como é classificado esse caso de pneumonia?
Pneumonia pediátrica com tiragem subcostal ou SatO2 < 90% (ou 92% em alguns contextos) = Pneumonia Grave (OMS).
A classificação da pneumonia em crianças pela OMS é crucial para o manejo. A presença de tiragem subcostal, mesmo sem outros sinais de perigo como incapacidade de beber ou convulsões, já classifica a pneumonia como grave, indicando a necessidade de internação e tratamento parenteral.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos globalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu critérios claros para a classificação da pneumonia pediátrica, visando guiar o manejo e reduzir a mortalidade, especialmente em países em desenvolvimento. Essa classificação é baseada em sinais clínicos simples e de fácil identificação, permitindo uma triagem rápida e eficaz em ambientes com recursos limitados. A classificação da OMS divide a pneumonia em "sem pneumonia" (apenas tosse ou resfriado), "pneumonia" (taquipneia sem outros sinais de perigo) e "pneumonia grave" (presença de taquipneia e/ou tiragem subcostal, ou qualquer sinal de perigo geral). Os sinais de perigo gerais incluem incapacidade de beber, vômitos persistentes, convulsões, letargia ou inconsciência, e estridor em repouso. No caso apresentado, a presença de tiragem subcostal já é suficiente para classificar o quadro como pneumonia grave, independentemente da saturação de oxigênio (que, embora 94%, ainda é um ponto de atenção). O reconhecimento precoce da pneumonia grave é crucial, pois exige internação hospitalar, oxigenoterapia (se SatO2 < 90% ou 92% em alguns contextos), e antibioticoterapia parenteral. A escolha do antibiótico depende da idade da criança e do perfil epidemiológico local, mas geralmente envolve ampicilina ou penicilina cristalina, podendo ser associada a gentamicina em lactentes jovens. O manejo adequado e rápido é fundamental para prevenir complicações e garantir um bom prognóstico.
Os principais sinais de perigo incluem incapacidade de beber, vômitos persistentes, convulsões, letargia ou inconsciência, tiragem subcostal e estridor em repouso. Em crianças menores de 2 meses, também se considera febre, hipotermia e respiração rápida.
A tiragem subcostal é um sinal de esforço respiratório significativo, indicando que a criança está usando músculos acessórios para respirar devido à dificuldade pulmonar. Sua presença, segundo a OMS, classifica a pneumonia como grave, necessitando de internação e tratamento.
A conduta inicial inclui internação hospitalar, oxigenoterapia se SatO2 < 90% (ou 92% dependendo do protocolo), antibioticoterapia parenteral (ex: ampicilina ou penicilina cristalina + gentamicina para < 2 meses; ampicilina ou penicilina cristalina para > 2 meses), e suporte geral.
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