UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
Paciente feminina, 34 anos, moradora em zona rural, procura atendimento médico por estar "sentindo cansaço severo" que a impede de trabalhar "como antes", sentindo "palpitações" nos últimos seis meses. Tonsilites estreptocócicas de repetição. Exame físico: pressão arterial de 110 x 60 mmHg; frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto; sopro diastólico em foco mitral, rude (++/4+); estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares, discreta dor à palpação profunda em hipocôndrio direito; edema perimaleolar bilateralmente (+/4+). Submetida a eletrocardiograma em seis derivações (abaixo). Considerando a história clínica e o eletrocardiograma, qual a classe funcional dessa paciente, segundo a classificação NYHA (New York Heart Association)?
Limitação para atividades habituais + Sintomas aos pequenos esforços = NYHA III.
A classificação NYHA avalia a limitação funcional do paciente com IC; a incapacidade de realizar o trabalho habitual e a presença de sintomas aos esforços menores que os habituais sugerem classe III.
A febre reumática continua sendo a principal causa de valvulopatia mitral em países em desenvolvimento, afetando predominantemente adultos jovens em zonas rurais. A estenose mitral leva a um aumento crônico da pressão no átrio esquerdo, que se reflete na circulação pulmonar (causando edema e dispneia) e, eventualmente, sobrecarrega o ventrículo direito, gerando congestão sistêmica (edema e hepatomegalia). A classificação funcional da NYHA é uma ferramenta clínica essencial para estratificar a gravidade dos sintomas e guiar a conduta terapêutica. Pacientes em classe funcional III ou IV, apesar do tratamento clínico otimizado, frequentemente possuem indicação para intervenções mecânicas, como a valvuloplastia mitral por balão ou a troca valvar, visando melhorar a sobrevida e a qualidade de vida.
A classificação da New York Heart Association (NYHA) divide-se em: Classe I (sem limitação de atividade física; atividades ordinárias não causam sintomas), Classe II (leve limitação; confortável em repouso, mas atividades ordinárias causam fadiga ou dispneia), Classe III (limitação acentuada; confortável apenas em repouso, mas atividades menores que as ordinárias causam sintomas) e Classe IV (incapacidade de realizar qualquer atividade sem desconforto; sintomas podem estar presentes mesmo em repouso).
A estenose mitral clássica apresenta-se com um sopro diastólico rude (ruflar) no foco mitral, frequentemente precedido por um estalido de abertura. No caso descrito, a história de tonsilites de repetição sugere etiologia reumática. Os sinais de congestão pulmonar (estertores crepitantes) e sistêmica (edema perimaleolar, dor em hipocôndrio por hepatomegalia congestiva) indicam que a valvulopatia evoluiu para insuficiência cardíaca biventricular.
Na estenose mitral, a obstrução ao fluxo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo causa aumento da pressão atrial, levando à congestão pulmonar retrógrada (cansaço/dispneia). As palpitações podem decorrer de taquicardia compensatória ou do desenvolvimento de Fibrilação Atrial devido à dilatação atrial esquerda crônica. A redução do débito cardíaco impede que a paciente realize suas atividades laborais 'como antes', caracterizando a queda na classe funcional.
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